Segunda-feira, 12 de Julho de 2004

Novo modelo organizacional de gestão? (III)

Como se escreveu mais em baixo, o actual modelo de gestão assenta em quatro pilares: A Assembleia de Escola, o Conselho Pedagógico, o Conselho Executivo e o Conselho Administrativo. Este “novo” modelo nada veio a acrescentar no que diz respeito à dinâmica de trabalho e ao desenvolvimento de práticas colaborativas e ficou aquém do que se desejaria no que se refere à participação e envolvimento da comunidade educativa na coisa educativa. Por outro lado, se era necessário demonstrar que a mudança das práticas educativas não ocorre por via legislativa, o Dec. Lei nº115/A-98 cumpriu muito bem este desiderato. Uma das “inovações” deste modelo foi a criação da Assembleia de Escola. Como órgão de controlo da acção executiva não dispõe de mecanismos para cumprir essa função. Apenas um exemplo: não existe qualquer creditação horária para os professores que se encontram neste órgão excepto para o seu presidente. O mesmo se passa com os representantes dos encarregados de educação e da comunidade educativa. Há um vazio legal no que se refere aos incentivos à sua participação nas actividades escolares.
O Conselho Executivo engordou. Do Conselho Pedagógico recebeu o poder deliberativo e há quem lhe recomende uma atitude empresarial. Dizem que dessa forma a Escola produzirá mais (em relação a quê? ao número de alunos reprovados? às médias dos resultados dos alunos nas disciplinas que valem a pena?,...). Efectivamente, só o facto de se considerar a possibilidade do órgão de gestão ser unipessoal é já um avanço em direcção à gestão de tipo empresarial.
2. É este o enquadramento para o segundo motivo que me levaria à adopção de um novo modelo de gestão escolar. “Potenciar a rede comunicacional intra-muros”. Como referia o Manuel numa das suas entradas, na escola as pessoas falam muito e comunicam pouco. Os espaços formais de discussão não esgotam as matérias e são pouco amigáveis para um trabalho cooperativo. Os órgãos de gestão estão balcanizados e por esse facto deverão ser reconfigurados.

Nota de rodapé: Corrijam-me o exagero, porque razão o modelo de gestão adoptou como quadro de referência o nosso modelo constitucional? Será a figura do ministro da educação uma encarnação do presidente da república?

publicado por Miguel Pinto às 21:21
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3 comentários:
De Miguel Pinto a 13 de Julho de 2004 às 15:51
Todos os comentários merecem a minha atenção. É isso que me proponho fazer mais tarde, num momento de síntese. “Será que se um Director Executivo, conjuntamente com os restantes órgãos da escola, definir como objectivo fazer baixar em 5% a percentagem de alunos que abandonam antes de concluírem a escolaridade obrigatória estará a ter uma atitude empresarial da mesma natureza do que o director geral do Banco Santander que elege como objectivo o crescimento dos lucros em 5%?”. Vamos lá olhar para este exemplo. Ambos, o director executivo e o director geral, procuram o rendimento e nisso não vejo qualquer problema. O rendimento é um objectivo ético a ser perseguido na escola e nas restantes manifestações da actividade humana. No entanto, esta questão poderá ser colocada a outro nível. Se concordarmos que é pela natureza dos fins, de uma escola e de um banco, que se ordenam os princípios e os meios a utilizar, o problema do abandono escolar nunca correrá o risco de se transformar numa variável financeira embora este problema encerre uma dimensão económica. No essencial, eu pretendi enfatizar o primado pedagógico sobre o administrativo e financeiro. Sobre a questão do perfil do director executivo reservarei uma futura entrada.
De pi + 2 a 13 de Julho de 2004 às 10:56
"há quem lhe recomende uma atitude empresarial. Dizem que dessa forma a Escola produzirá mais (em relação a quê? ao número de alunos reprovados? às médias dos resultados dos alunos nas disciplinas que valem a pena?,...)." Será que devo ler na expressão atitude empresarial uma condenação da definição de objectivos e estratégias de natureza educacional? Será que se um Director Executivo, conjuntamente com os restantes órgãos da escola, definir como objectivo fazer baixar em 5% a percentagem de alunos que abandonam antes de concluírem a escolaridade obrigatória estará a ter uma atitude empresarial da mesma natureza do que o director geral do Banco Santander que elege como objectivo o crescimento dos lucros em 5%?
De miguel sousa a 12 de Julho de 2004 às 22:31
Lamento discordar contigo amigo Miguel, pessoalmente defendo o modelo de gestão anterior, apesar de ser ainda mais centralizador, é que defendo que quem é eleito para o executivo deve ter a possibilidade de executar o que se propõem, sem entraves (n fim de contas é isso que manda os princípios democráticos). Com a minha entrada para o executivo só me tenho deparado com entraves à execução de um projecto que foi a votos e que foi aprovado na urna. Lendo os teus artigos, vem-me montes questões à cabeça, mas afinal que modelo é que defendes? Será que o gestor resolverá a questão? Concordo que deve haver avaliação capaz de fazer a diferenças, mas será que nessa altura não teremos que beijar as botas do gestor paro a que se possa subir de escalão? Será que esse tipo de modalidade não vai criar ainda mais injustiças? Continuo defendendo estes modelos, porque acredito que com as suas imperfeições e na ausência de uma solução alternativa credível ele vai dando algumas respostas….e mais, acredito que não dá por falta de profissionalismo dos professores. Já agora, devo-te dizer que requeri a nota de Bom…é um direito, que o professor tem, mas nunca usa….porque será?

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