Sexta-feira, 30 de Abril de 2004

Clubes escolares sem “carolice”.

Talvez com demasiada insistência para alguns, com alguma ligeireza para outros, tenho procurado destacar a importância dos clubes escolares. Nunca fui confrontado com argumentos que contestassem as dimensões extra-currículo. Na verdade, tenho procurado abrir uma brecha na unidimensionalidade da escola, destacando alguns constrangimentos que têm limitado a acção dos clubes e em alguns casos impedido a sua constituição. Seria bom que este debate motivasse atitudes novas face à escola, e por via disso, fosse possível mudar a escola. Mas só com grande dose de optimismo é que esperará uma relação causal.
Voltando à questão central: A essência de um clube escolar é a sua frequência livre. Só os professores interessados e empenhados no desenvolvimento das actividades extracurriculares poderão cumprir integralmente as exigências que estas actividades encerram. Preencher horários, fugir das actividades curriculares, andar a reboque dos colegas do núcleo, são algumas perversidades que acabam por desacreditar os clubes escolares.
Se forem ultrapassados os constrangimentos legais consubstanciados na limitação de créditos horários para as actividades não-lectivas (a proposta ministerial para a constituição dos clubes de física e matemática deverá generalizar-se a outras áreas temáticas ou disciplinares), se a organização e funcionamento da escola não tiver como único referencial as actividades curriculares, se não nos deixarmos afinar pelo diapasão do voluntarismo e “carolice” dos professores que acaba por amortecer o seu entusiasmo por este tipo de iniciativas, os clubes escolares cumprirão com a sua função – satisfazer as necessidades dos alunos de acordo com as suas particularidades vocacionais – e a Escola Cultural ficará mais acessível.
publicado por Miguel Pinto às 20:20
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Quinta-feira, 29 de Abril de 2004

O nosso tempo.

São pequenas fracções de tempo, breves olhares, insignificantes reparos. Encaradas como futilidades desenvolvimentistas as grandes conquistas desenhadas em fragmentos de papel, as habilidades motoras corriqueiras ou verbalizações inconsequentes, passam vezes demais por nós sem darmos por isso.
- Pai... vais mostrar este desenho aos teus amigos no teu blog?

corabelha.bmp

Este espaço é exíguo para a expressividade do seu sorriso.
publicado por Miguel Pinto às 21:32
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Esperar para ver

Aguardarei para ver como é que as escolas cumprirão o Artigo 7º do Dec. nº 74/2004 que entra em vigor em Setembro do corrente ano.

2 — Em complemento das actividades curriculares do nível secundário de educação, compete às escolas organizar e realizar, valorizando a participação dos alunos, acções de formação cultural e de educação artística, de educação física e de desporto escolar, de formação cívica, de inserção e de participação na vida comunitária, visando especialmente a utilização criativa e formativa dos tempos livres, e orientadas, em geral, para a formação integral e para a realização pessoal dos alunos.
publicado por Miguel Pinto às 10:44
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Quarta-feira, 28 de Abril de 2004

A desertificação axiológica.

É imenso este labor consubstanciado numa busca incessante da lucidez.
Claridade.jpg
Paradoxalmente, desnudam-se percursos obscurantistas emergindo afectos espontâneos.
As diferenças pedagógicas serão sempre diferenças axiológicas.
publicado por Miguel Pinto às 21:02
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Terça-feira, 27 de Abril de 2004

A revolução ainda não se fez.

Afinal o 25 de Abril ainda não se fez onde, supostamente, deveria ser feito. Dentro de cada um de nós. Enquanto houver condições para que os maniqueus persistam cobardemente escondidos atrás de anonimatos ou falsas identidades, enquanto algumas marionetas sentirem o aconchego dos manipuladores de mentes patetas, enquanto o grito liberdade servir, somente, para legitimar fetiches ideológicos, estaremos a alimentar regressivamente o ostracismo que nos cegou durante o Estado Novo.
A revolução ainda não se fez.
publicado por Miguel Pinto às 18:34
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A reorganização curricular do secundário chegou.

Li o diploma que define os princípios orientadores da organização e da gestão do currículo, bem como da avaliação das aprendizagens (Decreto-Lei N.º 74/2004).

Este documento de trabalho suscita vários olhares. Anseio que esta reforma estandardizada não esvazie a autonomia profissional dos docentes, que não diminua a sua capacidade para o exercício dos juízos profissionais, que favoreça as práticas colaborativas, sobretudo, de médio e longo prazo.

publicado por Miguel Pinto às 10:46
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Domingo, 25 de Abril de 2004

25 de Abril

Portugal no fundo.jpg
Bateu no fundo?
Um 25 de Abril não chega!
publicado por Miguel Pinto às 10:56
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Sábado, 24 de Abril de 2004

Semana aberta ou fechada?

A semana aberta findou. A proximidade do evento ainda não me permite um balanço consentâneo com o rigor da análise que pretendo operar de forma a discernir os significados desta “semana cultural” reflectidos no alcance das expectativas dos professores, alunos e restantes elementos da comunidade educativa.

Durante a minha habitual passagem pela blogosfera reparo nos diferentes olhares dirigidos para a semana cultural. São oriundos dos professores que descobrem neste período uma oportunidade ganha ou uma possibilidade perdida. Dito de uma forma maniqueísta, encontramos os prós e os contras da semana cultural.

A legitimação da semana aberta é sustentada pela adopção do modelo pedagógico pluridimensional. É um ponto alto, é um culminar de uma intensa actividade cultural e desportiva, é a objectivação das actividades desenvolvidas. A dinâmica das escolas é singular e o envolvimento dos diferentes actores difere conforme o grau de assunção do modelo pedagógica de escola.

As escolas que quiseram contornar a intencionalidade do legislador (LBSE) e construíram o seu projecto educativo em torno de um modelo pedagógico unidimensional, não encontram qualquer benefício na semana cultural. Não me surpreendem as críticas dirigidas à semana cultural, em textos anteriores já tinha dado conta de algumas dessas linhas força, principalmente aquelas que enfatizam a dificuldade do “cumprimento dos programas” subjugados ao espartilho dos exames nacionais.

Como nos diz o colega Carlos Fontes, “o ensino implica sempre uma escolha de uma dado paradigma, e qualquer opção implica sempre a escolha de um dado modelo de sociedade”. A minha opção pelo Paradigma Humanista foi assumida desde o primeiro texto. Assumo uma perspectiva crítica da subordinação das escolas à economia, recusando que as mesmas possam ter como finalidade a mera transmissão de conhecimentos, medidos pela sua quantidade e eficácia prática, em detrimento da construção dos saberes integrados que possibilitem aos alunos uma compreensão mais ampla do mundo e de si próprios. Acredito que as grandes mudanças da sociedade começam pela mudança dos indivíduos e actuar nas escolas é a longo prazo contribuir para modificar a sociedade num dado rumo.

Questiono-me muitas vezes, se não seria mais profícuo determinar o modelo pedagógico que é reflectido no documento principal da nossa escola – o projecto educativo, em vez de me centrar, exclusivamente, nos aspectos positivos ou negativos da semana cultural?  Não será este o momento em que a análise se deixará subjugar pela matriz da escola situada?

publicado por Miguel Pinto às 15:19
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Sexta-feira, 23 de Abril de 2004

Este é o tempo

Não queremos o caos (o medo, a cobardia, o silêncio, a mordaça, coniventes sem cadastro...) que a poetisa denuncia no seu poema:

"Este é o tempo
da selva mais obscura

Até o ar azul se tornou grades
E a luz do sol se tornou impura
Esta é a noite
Densa de chacais
Pesada de amargura

Este é o tempo em que os homens renunciam.”

Sophia de Mello Breyner,
Mar Morto (1962)

publicado por Miguel Pinto às 20:05
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Este é o tempo

É a negação do caos (o medo, a cobardia, o silêncio, a mordaça, coniventes sem cadastro...) que a poetisa denuncia no seu poema:

"Este é o tempo
da selva mais obscura

Até o ar azul se tornou grades
E a luz do sol se tornou impura
Esta é a noite
Densa de chacais
Pesada de amargura

Este é o tempo em que os homens renunciam.”

Sophia de Mello Breyner,
Mar Morto (1962)

publicado por Miguel Pinto às 20:05
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