Domingo, 30 de Maio de 2004

Um novo paradigma para o ensino secundário.

É com agrado que acompanho a temática desenvolvida no Que Universidade. Na verdade, a discussão sobre o Ensino Básico e Secundário e a transição do Ensino Secundário para o Ensino Superior tem sido focada, declarada ou contidamente, neste espaço. Do que já foi escrito depreende-se a defesa de um conjunto de rupturas com um modelo de ensino que não tem conseguido responder às necessidades dos alunos e que, por via disso, urge reconfigurar o paradigma da educação secundária.
O que se pretende é: “passar da lógica da obediência e da conformidade à lógica da autonomia e da responsabilidade; da lógica disciplinar à lógica do trabalho de cooperação interdisciplinar; passar da lógica do acesso aos detentores do poder para a lógica da decisão; passar da lógica do funcionário à lógica do profissional; passar da lógica centralista monocêntrica à lógica da descentralização pluricêntrica; passar da lógica da desconfiança à lógica da confiança; passar de uma concepção bancária da formação contínua a uma concepção crítica, centradas nas práticas; passar da lógica de servidor do Estado à lógica de servidor de pessoas” (Alves, 1999).
Sem querer ser repetitivo: não será este um requisito de uma escola personalista (cultural)?
publicado por Miguel Pinto às 21:21
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Pontes

Imagino uma ponte entre Ouguela e a Netescrita.
Ficarei à espera de novos desenlaces.
publicado por Miguel Pinto às 16:40
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Um mundo melhor.

Empurrado pela minha pretensa negatividade fui à feira do livro no Palácio de Cristal Em busca de um mundo melhor (de Karl Popper). Dei por mim rodeado de literatura infantil, enquanto a Ana ia devorando, com a curiosidade própria dos seus 6 anos, uma imensidade de histórias que lhe apareciam à frente.
É admirável a multiplicação do que é melhor no nosso mundo.
publicado por Miguel Pinto às 13:00
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Sábado, 29 de Maio de 2004

Obesidade.

Estas três notícias (1, 2, 3) prenunciam um futuro inquietante. Enquanto o Ministério da Educação persistir, irresponsavelmente, em não querer minimizar o problema da obesidade infanto-juvenil (designadamente, através do aumento da carga horária na disciplina de Educação Física e de um apoio efectivo às escolas promotoras de saúde) e as escolas cederem às negociatas que envolvem as “betoneiras” de chocolates e comida de “plástico”, o problema será agravado pela inércia das famílias.

(Sugiro uma visita ao blog amigo Educar para a saúde onde este problema tem sido objecto de uma reflexão profunda.)
publicado por Miguel Pinto às 00:18
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Sexta-feira, 28 de Maio de 2004

Pequenos escritores

Ainda bem que entrei no Forum Comunitario. Através dele descobri um blog fantástico. Um viveiro de pequenos escritores.
publicado por Miguel Pinto às 13:26
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O lado negro.

Começo a ficar preocupado com esta minha incapacidade em discernir o lado bom da escola e, mais concretamente, desta política educativa. Respeito muito os amigos que me visitam e que contribuem, com os seus comentários, neste percurso que escolhi. Claro que não fico indiferente ao olhar do outro, aos reparos, às inquietações, aos estados de espírito que transparecem das escritas, todas elas singulares. Há pouco tempo atrás, um amigo recente encontrou neste texto uma atitude negativa, um tom que antecipa um desfecho desfavorável, um modo derrotista. Um sinal que pretendia ser optimista resultante de uma boa oportunidade para desenvolver um projecto arrojado foi sentido como o fado. Eu sou emoção. Não pretendo mascarar este meu sentir a escola. Estarei no estádio profissional do descontentamento, mas busco a lucidez, rejeito o conformismo. Como escrevi acerca do gestor escolar, não existe ninguém que não tenha algo de positivo. Será que poderei dizer o mesmo em relação à escola? Claro que sim.
Há uma semana encontrava-me num congresso dedicado ao desporto escolar. Para além das intervenções caseiras, ouvi atentamente testemunhos importantes vindos da França, Espanha e Estados Unidos. Não me deixei impressionar pelos modelos piramidais e exclusivos oriundos do outro lado do Atlântico. Pensei na quantidade de obesos, novos e velhos, e dos problemas de saúde pública que o desporto não tem sido capaz de minimizar. Será que há um “bom” e um “mau” desporto? Os franceses viram no sistema desportivo federado o seu quadro de referência para a organização do desporto escolar. Há quem defenda a “importação” deste modelo embora a sua aceitação esteja longe de ser consensual. Em Espanha a incursão neoliberal faz as suas vítimas no terreno desportivo escolar. O sector privado conquistou as actividades extra-lectivas e não garante o acompanhamento das práticas desportivas por profissionais qualificados.
Será que a nossa auto-estima melhora com os maus exemplos vindo do exterior? Claro que esta questão pode ser reconfigurada: O que é que podemos retirar destes exemplos?
Decididamente, a minha análise não é neutra.
publicado por Miguel Pinto às 11:20
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Quinta-feira, 27 de Maio de 2004

Precariedade até quando?

Escrevia no post anterior que o próximo ano lectivo já começou. A minha corrida contra o tempo tem dias, talvez meses. Sabemos que as condições facilitadoras para a implementação dos projectos nas escolas avançam vagarosamente. E quanto mais se requerem soluções arrojadas maiores as resistências. Mas, as minhas lamúrias esvaziam-se de sentido quando me confronto com a precariedade do emprego. O sistema educativo é o paradigma do desperdício de recursos humanos. É a lógica de merceeiro que obriga a que os sucessivos governos lusitanos concebam a coisa educativa desprezando a estabilidade dos projectos educativos. Numa escola exclusivamente curricular, a gestão dos créditos horários é perversamente facilitada. Primeiro, entram as horas lectivas até preencherem os horários dos professores mais “antigos”. Depois, aparece a figura aberrante do horário zero. O resultado é a desvalorização profissional do professor. A intenção é transformar o professor numa espécie marginal e neste caso o zero é expressivo.
Precariedade até quando?
As escolas precisam de mais e melhores professores!
publicado por Miguel Pinto às 21:35
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Terça-feira, 25 de Maio de 2004

A escola é acção.

Sem propostas inovadoras e medidas concretas é elevado o risco de ficarmos enlaçados numa retórica iníqua. O abandono escolar precoce não pode esperar pelas vagarosas decisões governamentais. Apresento uma proposta de um plano integrado no Desporto Escolar para lidar com a resiliência escolar. É que o próximo ano lectivo já começou. Resta esperar que o Conselho Executivo cumpra com a sua parte e o Centro de Área Educativa não estorve com quezílias administrativas.

Resiliência escolar é a capacidade do indivíduo ficar na Escola, apesar dum conjunto de características dos subsistemas (o próprio indivíduo; a família; a escola; o meio envolvente) que motivariam para o abandono escolar . Explica-se também pela interacção positiva que se estabelece entre os mesmos subsistemas, muitas vezes por intervenção externa de natureza preventiva. Sendo certo que o problema do abandono escolar é multifacetado, as iniciativas profilácticas serão sempre mais eficazes quanto maiores forem as sinergias desencadeadas. Reconhecemos a existência de inúmeros constrangimentos que limitam a acção das escolas nesta matéria. Um espartilho legal, reduzidas expectativas dos alunos e famílias, docentes desencorajados pela intensificação do trabalho, órgãos de gestão pressionados pela escassez do tempo relativamente ao ritmo das mudanças. Determinados pela vontade de colaborar, intervir e querer alterar as circunstâncias, o núcleo do desporto escolar avança com uma proposta que visa integrar os alunos na escola e apoiar o seu desenvolvimento integral. O desporto escolar apresenta-se como um instrumento para cumprir este grande desiderato que é a resiliência escolar. O desporto escolar é uma actividade livre. Os alunos acedem ao desporto escolar porque vêem nele algo de positivo. Nem sempre a oferta desportiva da escola encontra eco na mobilização dos alunos e nessas circunstâncias, caberá à escola (o desporto escolar é um projecto de escola) rever e reformular as suas propostas. Quando a adesão dos alunos é elevada não restará outra alternativa à escola. Há que procurar facultar as condições físicas e humanas para responder às necessidades de prática dos alunos e não ceder aos obstáculos de natureza administrativa. A assunção plena deste projecto pelo Conselho Executivo da escola é um pré-requisito para a viabilidade do mesmo. Será vantajoso o envolvimento e colaboração institucional do CAE de forma a avaliar a especificidade e o alcance da iniciativa e proceder a um reajustamento da creditação horária aos docentes que participam no projecto.

Será que este projecto encerra um dos significados de política educativa conquistada, construída e imposta por quem está nas escolas aos políticos e burocratas do ME?

publicado por Miguel Pinto às 18:07
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Segunda-feira, 24 de Maio de 2004

Um assalto à Escola Inclusiva?

Os discursos educativos encerram paradoxos. Uns serão assumidos e legitimados pelas dificuldades em lidar com a complexa diversidade das escolas concretas, outros serão disfarçados pela propaganda partidária de forma a ocultar, perversamente, a ideologia educativa. Os ataques à escola pública enquadram-se perfeitamente nesta tramóia e visa abrir o caminho às negociatas no sector educativo. O desporto escolar é um reflexo desta incursão neoliberal.
A partir de uma análise incisiva às orientações do desporto escolar reflectidas nos seus documentos orientadores e nos discursos oficiais é possível encontrar um conjunto de contradições que sintetizo nos seguintes pontos:
1. Uma escola inclusiva requer um desporto escolar inclusivo. O desenvolvimento do desporto escolar rejeita o modelo piramidal (elitista) como único referencial organizador da prática desportiva.
2. Uma escola inclusiva não pode negligenciar a excelência dos desempenhos. O desporto escolar inclusivo não pode organizar as práticas desportivas relegando os alunos com melhores níveis de prestação desportiva para o sistema desportivo federado.
Basta desviar o meu olhar do quadro extralectivo onde se desenvolve o Desporto Escolar para as áreas curriculares que sobra matéria para continuar com a reflexão.
Este é para já um primeiro ensaio para a discussão virtual que a Sofia e o Manuel decidiram apadrinhar nos seus blogues.
publicado por Miguel Pinto às 18:24
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Domingo, 23 de Maio de 2004

No covil do Dragão

Regresso desapontado do III Congresso do Desporto Escolar. Se é verdade que uma permanência prolongada no covil (Estádio) do Dragão por um benfiquista assumido provoca sérios danos psicológicos de curto e médio prazo, uma boa parte das intervenções ficou-se pela rama dos problemas afectos ao desporto escolar. Houve excepções, delas darei conta mais tarde.
Logo a abrir o Congresso o Dr. Justino, sem surpreender, deu o mote. Por graça, por desprezo à ciência, ou por mero oportunismo mediático, considerou que mais do que qualquer resultado suscitado pelo fervilhar do evento, o mais importante era mobilizar as crianças e jovens para a prática desportiva. Tudo o resto seria secundário. Isto é o mesmo que dizer que o evento seria dispensável. Claro que outras interpretações, descontextualizadas, serão possíveis. Porém, esta é a minha. Não será, porventura, a interpretação dos seus acólitos. Não vi nenhum sussurrar-lhe ao ouvido para dizer que a sua política têm estorvado a mobilização dos profissionais de Educação Física e o envolvimento dos alunos devido à (des)orientação dos programas do desporto escolar.
Mas, o que importava verdadeiramente aos congressistas (arrisco a generalização), era desbravar um caminho em direcção à qualidade das suas práticas e não ouvir chavões politicamente correctos, receber estímulos em vez de desaforos, ver reconhecido o profissionalismo docente e censurada a lógica do professor carola que tem conduzido ao descrédito a sua função.

Está bem, para quem gosta de ver Portugal através de uma perspectiva positiva prometo que me esforçarei para me lembrar das coisas boas. Só quando recuperar.
publicado por Miguel Pinto às 20:57
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