Sexta-feira, 18 de Junho de 2004

A culpa é dos professores.

A expressão sacudir a água do capote caracteriza muito bem este tempo em que vivemos. A evasão das responsabilidades é meio caminho andado para deixar tudo na mesma. Em todos os quadrantes sociais, desde o cultural, político, económico, desportivo, etc., verifica-se esta propensão, apetece-me dizer generalizada, para fugirmos às responsabilidades.
A entrada do Manuel remete-nos para este texto do Público que é paradigmática do clima em que vivemos e que referi anteriormente. Da Escola e de Futebol todos percebem um pouco. Todos temos o nosso lado de treinador de bancada, todos temos uma solução na manga para resolver os problemas do insucesso escolar (neste caso, disciplinar). Curiosamente, a solução para o problema da Matemática é retirar dos professores a responsabilidade de pensar e decidir a orientação dos programas, retirar da sua alçada a decisão sobre a adopção de manuais e “obrigá-los” a uma formação contínua como deve ser. Nada de formação em tapetes de Arraiolos ou outras coisas do género (já me pronunciei aqui sobre esta matéria). Como a responsabilidade pelos níveis deficitários de conhecimentos, competências ou outra tecnologização qualquer, dos alunos é dos professores (sempre dos professores que se encontram nos níveis anteriores) que não ensinam e estão mal preparados, será da responsabilidade dos professores universitários a deficiente preparação destes professores. Encontramos, brilhantemente, com um raciocínio singelo e linear os culpados pelo insucesso da Matemática. Os professores universitários da área da Matemática. Os mesmos que querem reparar agora a deficiente formação dos seus ex-alunos.
Claro que só a ligeireza de análise, pouco fundamentada e populista é que permitirá transferir o ónus da culpa para aqueles que aparentemente se encontram num nível inferior (de ensino, hierárquico ou outro qualquer).
publicado por Miguel Pinto às 11:45
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3 comentários:
De Miguel Sousa a 18 de Junho de 2004 às 23:56
As culpasexistem e devem ser imputadas... contudo p+arece que era proveitoso conseguirmos dar o passo seguinte...capaz de encontrar soluções. Talvez se aprofundassemos a teoria explictiva dos processos da memoria, fosse mais fácil alterar alguma coisa...e se calhar, começavamos por entender o insucesso escolar de outra forma...
De MJMatos a 18 de Junho de 2004 às 23:33
Agora é que disse tudo, EM. Dá que pensar esta "pescadinha de rabo na boca".
De Emlia Miranda a 18 de Junho de 2004 às 13:54
Reproduzo o comentário que deixei no Manuel (da escola): "Será sempre preciso atribuir culpas? Não seria mais interessante e proveitoso deixar de se fazer o que sempre se fez? O que quero dizer com isto? Que creio só poder existir evolução/alteração quando as coisas não se reproduzirem a si próprias, como é o caso da escola."
Um abraço também.

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