Terça-feira, 1 de Junho de 2004

Para onde vai o secundário?

Uma discussão centrada no ensino secundário poderá aclarar diversos percursos. Destaco apenas dois: o caminho desejado e o caminho oferecido. Ouço todos os dias, deste ou daquele colega, que de nada vale questionar o sistema de ensino reflectindo e projectando o seu futuro. Porque esse advir é delineado em gabinetes surdos e cegos, de nada servirá contestar as soluções, propor alternativas, querer intervir na sua construção. Se a crítica, a participação e a reivindicação não suscitam mudanças no sistema educativo, não será pelo conformismo, apatia, acriticismo e pela revolta silenciada que a escola se transformará. Por outro lado, animemo-nos, dentro desses gabinetes moram inquilinos a prazo, direi com mais rigor, de prazo curto.

É nesta medida que lanço o meu repto. Talvez produza algum eco, da escola ou nas escolas, básicas e não básicas. Retomo uma questão que serviu de guia ao colega José Matias Alves  numa incursão à crise do ensino secundário. Uma crise que deve ser compreendida à luz das mudanças pós-modernas (Hargreaves)que conduziram à perda gradual de sentido e à ruína do actual modelo escolar.

Qual o sentido, finalidades e funções do ensino secundário? Estará condenado a servir de antecâmara do ensino superior? Será este o destino que lhe querem conferir? Não será possível olhar o ensino secundário tendo como quadro de referência as necessidades dos alunos? A partir do momento em que deixarmos de considerar o ensino secundário como um ensino de elites, ele abandonará as suas contradições e superará os seus dilemas: selectividade/democraticidade; obrigatório/facultativo; condição de acesso ao ensino superior/não condição de acesso ao ensino superior; uniformidade/diversidade; etc.

publicado por Miguel Pinto às 22:16
link do post | comentar | favorito
|
9 comentários:
De MJMatos a 4 de Junho de 2004 às 13:30
Penso que a escola tem também um papel como laboratório, onde muitas iniciativas de nível individual e colectivo podem ter lugar e serem avaliadas. Mas dependem dos professores, da ultrapassagem dos complexos das "medalhas de cortiça", da vontade de fazer e de dar a conhecer o que se fez, mesmo que o sucesso não tenha sido grande.
De Miguel Sousa a 4 de Junho de 2004 às 13:17
Apesar das carências que apontas, acredito que é urgente que a escoila dê visibilidade ás suas actividades para ppoder começar a ser avaliada por tanta coisa boa que faz e que não divulga, como é o caso do forum virtual feito pela escola da Ponte e que poucos souberam, apesar do elevado número de participantes. Partindo dessa divulgação, pode haver uma avaliação feita pela sociedade com outro tipo de ferramentas muito mais válidas do que o popular raking.
De Miguel Pinto a 3 de Junho de 2004 às 23:14
Parece-me bem. Mas, será possível olhar para as funções da escola sem equacionarmos o papel da família? É que a crise da ordem familiar remete(?) para a escola um conjunto de solicitações para os quais a escola não estará preparada. Depois, há que questionar o papel da Escola neste processo amplo de formação integral dos seus alunos, num momento em que a identidade da escola está abalada. Numa conjuntura em que o seu programa de actividade é indefinido, os meios de que dispõe são insuficientes, a adequação da sua resposta às necessidades sociais e pessoais que lhe cumpre fazer é insatisfatória. Para agravar este quadro, ainda se exige à Escola a função de custódia dos mais jovens e a função de regulação das aspirações e de selecção social. Serão razões suficientes para pensarmos num novo modelo escolar?
De MJMatos a 3 de Junho de 2004 às 11:58
Ocorreu-me que algumas das competências citadas por MP no seu comentário "esbarram" com o problema da avaliação do sucesso da Escola na sua transmissão. De facto, a discussão poderia até fazer-se ao nível de ser ou não a Escola a responsável pela trasnmissão dessas competências. Que é que acham?
De Miguel Sousa a 3 de Junho de 2004 às 10:05
Reduzir não é um hábito, mas algo que acontece por vezes até sem nos darmos conta disso, de qualçquer forma aceite as minhas desculpas pelo mal entendido
De MJMatos a 2 de Junho de 2004 às 18:23
Caro Miguel Sousa:
Saliento-lhe apenas que usei DOIS exemplos; não reduzi nada, certo? Não tenho por hábito tentar esgotar assuntos, mas sim suscitar discussões francas.
De Miguel Sousa a 2 de Junho de 2004 às 18:14
Caro amigo Miguel, acredito queo facto do secundário estar a falhar no aintgir dos objectivos que especificaste no teu comentário tem muito a ver com a complexa estensão dos curriculos...continuo acreditando na pertinencia desses objectivos, apesar de concordar contigo no que diz respeito ao insucesso no alcançes dos mesmos. Reduzir a educação para a cidadania à lingua materna e à lingua estrangeira, na minha modesta opinião, é demasiado curto, quando a escola pretende intervervir na sociedade, por forma a que o cidadão seja cada vez mais competente ao níveçl social...
De Miguel Pinto a 2 de Junho de 2004 às 15:12
O ensino secundário tem prosseguido finalidades no domínio pessoal (clarificação de valores, capacidade de mudança e de adaptação, auto-estima, hábitos que favoreçam a aptidão física e a saúde, etc.), no domínio social e cívico (convivência e cooperação, capacidade de compreensão da realidade nacional e internacional, responsabilidade pelos seus comportamentos, etc.), no domínio intelectual (comunicação escrita e oral, raciocínio quantitativo, recolha, organização e avaliação da informação existente, etc.) e no domínio vocacional (conhecimentos sobre diferentes carreiras profissionais que orientem as escolhas,...).
Na verdade, este ensino secundário tem falhado no cumprimento destas finalidades. Prosseguir com as mesmas soluções para os mesmos problemas só poderá conduzir ao mesmo resultado.
De MJMatos a 2 de Junho de 2004 às 06:20
Terá pelo menos três objectivos: ser percurso para o superior, preparar para uma profissão e fornecer competências básicas de cidadania. Os dois primeiros, naturalmente, não estão sobrepostos. Já o terceiro deverá ser conseguido nos dois ramos: domínio da língua portuguesa e utilização funcional de língua estrangeira são dois exemplos de competências que deveriam estar presentes independentemente da área de saber escolhida.

Comentar post

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Julho 2005

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
28
29
30
31

.posts recentes

. Outro Olhar... só no blog...

. Novo lugar.

. Exemplos que (nada) valem...

. (Des)ordem...

. Outros olhares... a mesma...

. E esta?

. O blogspot encalhou.

. Bolonha aqui tão perto.

. Olhar distante.

. Faz de conta.

.arquivos

. Julho 2005

. Setembro 2004

. Agosto 2004

. Julho 2004

. Junho 2004

. Maio 2004

. Abril 2004

. Março 2004

. Fevereiro 2004

. Janeiro 2004

. Dezembro 2003

blogs SAPO

.subscrever feeds