Sexta-feira, 28 de Maio de 2004

O lado negro.

Começo a ficar preocupado com esta minha incapacidade em discernir o lado bom da escola e, mais concretamente, desta política educativa. Respeito muito os amigos que me visitam e que contribuem, com os seus comentários, neste percurso que escolhi. Claro que não fico indiferente ao olhar do outro, aos reparos, às inquietações, aos estados de espírito que transparecem das escritas, todas elas singulares. Há pouco tempo atrás, um amigo recente encontrou neste texto uma atitude negativa, um tom que antecipa um desfecho desfavorável, um modo derrotista. Um sinal que pretendia ser optimista resultante de uma boa oportunidade para desenvolver um projecto arrojado foi sentido como o fado. Eu sou emoção. Não pretendo mascarar este meu sentir a escola. Estarei no estádio profissional do descontentamento, mas busco a lucidez, rejeito o conformismo. Como escrevi acerca do gestor escolar, não existe ninguém que não tenha algo de positivo. Será que poderei dizer o mesmo em relação à escola? Claro que sim.
Há uma semana encontrava-me num congresso dedicado ao desporto escolar. Para além das intervenções caseiras, ouvi atentamente testemunhos importantes vindos da França, Espanha e Estados Unidos. Não me deixei impressionar pelos modelos piramidais e exclusivos oriundos do outro lado do Atlântico. Pensei na quantidade de obesos, novos e velhos, e dos problemas de saúde pública que o desporto não tem sido capaz de minimizar. Será que há um “bom” e um “mau” desporto? Os franceses viram no sistema desportivo federado o seu quadro de referência para a organização do desporto escolar. Há quem defenda a “importação” deste modelo embora a sua aceitação esteja longe de ser consensual. Em Espanha a incursão neoliberal faz as suas vítimas no terreno desportivo escolar. O sector privado conquistou as actividades extra-lectivas e não garante o acompanhamento das práticas desportivas por profissionais qualificados.
Será que a nossa auto-estima melhora com os maus exemplos vindo do exterior? Claro que esta questão pode ser reconfigurada: O que é que podemos retirar destes exemplos?
Decididamente, a minha análise não é neutra.
publicado por Miguel Pinto às 11:20
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2 comentários:
De MJMatos a 28 de Maio de 2004 às 13:29
*... contrastes ENTRE negatividade ...
De MJMatos a 28 de Maio de 2004 às 13:28
Diz-se que "se queres um amigo, dá-lhe uma sova". Suponho que também aqui se podem incluir "sovas" verbais, mesmo na forma de simples reparos, 8-).

A importância das tertúlias electrónicas tem um pouco a ver, na minha opinião, com as diferentes atitudes. Há sempre um ou mais optimistas para contrariar os pessimismos, assim como um ou mais pessimistas para moderar entusiasmos exagerados. Como em tudo, a questão está no equilíbrio. Mas, por favor, não deixe de ser negativo se é para aí que está virado; porque também há contrastes negatividade e produção de iniciativas (originais ou não). Eu tendo a ser optimista, mas em consequência de ver tudo com bons olhos, não estou tão preocupado com mudar as coisas.

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