Terça-feira, 25 de Maio de 2004

A escola é acção.

Sem propostas inovadoras e medidas concretas é elevado o risco de ficarmos enlaçados numa retórica iníqua. O abandono escolar precoce não pode esperar pelas vagarosas decisões governamentais. Apresento uma proposta de um plano integrado no Desporto Escolar para lidar com a resiliência escolar. É que o próximo ano lectivo já começou. Resta esperar que o Conselho Executivo cumpra com a sua parte e o Centro de Área Educativa não estorve com quezílias administrativas.

Resiliência escolar é a capacidade do indivíduo ficar na Escola, apesar dum conjunto de características dos subsistemas (o próprio indivíduo; a família; a escola; o meio envolvente) que motivariam para o abandono escolar . Explica-se também pela interacção positiva que se estabelece entre os mesmos subsistemas, muitas vezes por intervenção externa de natureza preventiva. Sendo certo que o problema do abandono escolar é multifacetado, as iniciativas profilácticas serão sempre mais eficazes quanto maiores forem as sinergias desencadeadas. Reconhecemos a existência de inúmeros constrangimentos que limitam a acção das escolas nesta matéria. Um espartilho legal, reduzidas expectativas dos alunos e famílias, docentes desencorajados pela intensificação do trabalho, órgãos de gestão pressionados pela escassez do tempo relativamente ao ritmo das mudanças. Determinados pela vontade de colaborar, intervir e querer alterar as circunstâncias, o núcleo do desporto escolar avança com uma proposta que visa integrar os alunos na escola e apoiar o seu desenvolvimento integral. O desporto escolar apresenta-se como um instrumento para cumprir este grande desiderato que é a resiliência escolar. O desporto escolar é uma actividade livre. Os alunos acedem ao desporto escolar porque vêem nele algo de positivo. Nem sempre a oferta desportiva da escola encontra eco na mobilização dos alunos e nessas circunstâncias, caberá à escola (o desporto escolar é um projecto de escola) rever e reformular as suas propostas. Quando a adesão dos alunos é elevada não restará outra alternativa à escola. Há que procurar facultar as condições físicas e humanas para responder às necessidades de prática dos alunos e não ceder aos obstáculos de natureza administrativa. A assunção plena deste projecto pelo Conselho Executivo da escola é um pré-requisito para a viabilidade do mesmo. Será vantajoso o envolvimento e colaboração institucional do CAE de forma a avaliar a especificidade e o alcance da iniciativa e proceder a um reajustamento da creditação horária aos docentes que participam no projecto.

Será que este projecto encerra um dos significados de política educativa conquistada, construída e imposta por quem está nas escolas aos políticos e burocratas do ME?

publicado por Miguel Pinto às 18:07
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4 comentários:
De Miguel Pinto a 26 de Maio de 2004 às 18:57
Pois é Manuel, olha que ainda não tinha pensado nessa coisa da imunidade. É que o futuro ex-ministro Justino também esteve presente. Está bem, foi uma exposição excessiva.
De Miguel Pinto a 26 de Maio de 2004 às 18:55
Sabe MJMatos, esta atitude aparentemente negativa reflecte um percurso de dez anos na mesma escola. Como em qualquer corrida de obstáculos o atleta não os evita, ultrapassa-os. Aborda um obstáculo com os olhos no seguinte. Neste corrida, as dificuldades são uma oportunidade, não uma fatalidade. Mas, concordo consigo: é uma corrida demasiado importante para se perder.
De manuel cabea a 26 de Maio de 2004 às 10:03
hoje é prá'brinca.
O que que mais gostei foi do termo "Resiliência", como alentejano, custa-me a prenunciar uma coisa destas - Resiliência, irra.
Penso que estiveste demasido tempo exposto ao covil do bicho.
De MJMatos a 25 de Maio de 2004 às 22:29
Não terá uma atitude um pouco negativa, Miguel? Do seu tom adivinha-se a antecipação da derrota, a inevitabilidade de um desfecho desfavorável. Eu sempre disse aos alunos que não deveriam entrar no exame a pensar que ia correr mal. Porque, como o código postal, é meio caminho andado. Eu sei que é difícil acreditar, também por aí passo. Mas não há opção. É uma guerra demasiado importante para se perder, a guerra da Educação.

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