Segunda-feira, 24 de Maio de 2004

Um assalto à Escola Inclusiva?

Os discursos educativos encerram paradoxos. Uns serão assumidos e legitimados pelas dificuldades em lidar com a complexa diversidade das escolas concretas, outros serão disfarçados pela propaganda partidária de forma a ocultar, perversamente, a ideologia educativa. Os ataques à escola pública enquadram-se perfeitamente nesta tramóia e visa abrir o caminho às negociatas no sector educativo. O desporto escolar é um reflexo desta incursão neoliberal.
A partir de uma análise incisiva às orientações do desporto escolar reflectidas nos seus documentos orientadores e nos discursos oficiais é possível encontrar um conjunto de contradições que sintetizo nos seguintes pontos:
1. Uma escola inclusiva requer um desporto escolar inclusivo. O desenvolvimento do desporto escolar rejeita o modelo piramidal (elitista) como único referencial organizador da prática desportiva.
2. Uma escola inclusiva não pode negligenciar a excelência dos desempenhos. O desporto escolar inclusivo não pode organizar as práticas desportivas relegando os alunos com melhores níveis de prestação desportiva para o sistema desportivo federado.
Basta desviar o meu olhar do quadro extralectivo onde se desenvolve o Desporto Escolar para as áreas curriculares que sobra matéria para continuar com a reflexão.
Este é para já um primeiro ensaio para a discussão virtual que a Sofia e o Manuel decidiram apadrinhar nos seus blogues.
publicado por Miguel Pinto às 18:24
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2 comentários:
De miguel sousa a 28 de Maio de 2004 às 10:30
O exemplo do ensino profissional é o paradigma da tentativa de acabar a escola inclusiva, subvertendo o sistema,...chegaremos ao tempo que os alunos que não entrarem nas escolas profissionais vêm para o ensino tradicional...
De manuel cabea a 25 de Maio de 2004 às 08:55
Temo que a nossa discussão possa parecer, ainda que só isso mesmo, parecer regressar a um ponto inicial, isto é, aquilo que afirmas é extensível, e eu sei que concordarás comigo, às restantes áreas e disciplinas, não podemos atirar as franjas para fora da escola, sejam elas boas - para o desporto federado ou para as escolas privadas - sejam elas más - por falta de incentivos, enquadramento ou oportunidade e enviá-las para os centros de formação ou para a marginalidade.
A escola pública e os docentes que a consubstanciam, na docência ou na gestão, não pode trabalhar apenas para o pretenso aluno médio e mediano, apático e indiferenciado, acrítico e acomodado. Tem de saber integrar as diferenças, as franjas e criar, por diferentes formas e metodologias - a tua escola participativa, inclusiva, é uma delas.
Este tem que ser o desafio e que não é da escola, enquanto entidade abastrata e reificada, é nosso, dos profissionais da escola e da educação que devem assumir, de forma clara e objectiva, uma posição.
Isto é política educativa conquistada, construída por quem está nas escolas e imposta aos políticos e burocratas do ME.

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