Domingo, 16 de Maio de 2004

Na génese do gestor escolar.

No post anterior destaquei a dimensão sócio-política do tempo. Há, efectivamente, uma separação clara entre os interesses, responsabilidades e as perspectivas temporais a eles associadas entre os professores e os administradores. Do choque de perspectivas temporais resulta a intensificação do trabalho dos professores. Considero até que por via desta dissonância emergiu a tentativa (frustrada) do actual ministério da educação em impor a entrada de gestores (não professores) para os órgãos de gestão e administração escolares. Devido à sua perspectiva policrónica do tempo, os professores retardam o ritmo da mudança e implementação das reformas. Da colisão de perspectivas temporais decorre o seguinte paradoxo: quanto mais rápido e irrealista é o prazo de implementação dos processos de inovação mais o professor o tenta alargar. Por seu lado, o administrador fica mais ansioso e mais disposto a acelerar o ritmo e encurtar o prazo para assegurar a ocorrência da mudança.
Voltarei ao assunto.

Nota: (Hargreaves (1998) utiliza a conceptualização do tempo monocrónico e policrónico do antropólogo Edward Hall. Como refere Hall, as pessoas que funcionam no âmbito de um quadro de tempo monocrónico concentram-se em fazer uma coisa de cada vez, em série, numa progressão linear. No âmbito do tempo policrónico, as pessoas concentram-se na feitura de várias coisas ao mesmo tempo, por processo de combinação. No âmbito dos quadros temporais policrónicos, existe uma sensibilidade extrema para o contexto.)

publicado por Miguel Pinto às 21:07
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3 comentários:
De Jos Manuel Faria a 18 de Maio de 2004 às 09:32
Tens razão Miguel. Contudo penso que devem ser professores a Gerir,e com eleições democráticas onde votariam todos os intervenientes directos. Por ex: como até aqui. DL/115-A-98.
De miguel a 18 de Maio de 2004 às 00:09
concordo com esse prespectiva que noutros casos pode ser chamada ou de holistica, sistémica, ou ecologista...contudo continuo achando que os professores que querem geriras escolas deviam fazer um estudo sobre administração escolar...nem que seja pelo mesmo facto que não queremos os gestores...ou seja que trabalhem uma vertente sem ter sensibilidade para a outra
De Jos manuel faria a 17 de Maio de 2004 às 19:48
O Ministro quer gestores não professores é a sua filosofia. Ou o combate é firme ou ele vai em frente. Se tens vontade numa candidatura inscreve-te no PSD ou no CDS!

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