Sábado, 24 de Abril de 2004

Semana aberta ou fechada?

A semana aberta findou. A proximidade do evento ainda não me permite um balanço consentâneo com o rigor da análise que pretendo operar de forma a discernir os significados desta “semana cultural” reflectidos no alcance das expectativas dos professores, alunos e restantes elementos da comunidade educativa.

Durante a minha habitual passagem pela blogosfera reparo nos diferentes olhares dirigidos para a semana cultural. São oriundos dos professores que descobrem neste período uma oportunidade ganha ou uma possibilidade perdida. Dito de uma forma maniqueísta, encontramos os prós e os contras da semana cultural.

A legitimação da semana aberta é sustentada pela adopção do modelo pedagógico pluridimensional. É um ponto alto, é um culminar de uma intensa actividade cultural e desportiva, é a objectivação das actividades desenvolvidas. A dinâmica das escolas é singular e o envolvimento dos diferentes actores difere conforme o grau de assunção do modelo pedagógica de escola.

As escolas que quiseram contornar a intencionalidade do legislador (LBSE) e construíram o seu projecto educativo em torno de um modelo pedagógico unidimensional, não encontram qualquer benefício na semana cultural. Não me surpreendem as críticas dirigidas à semana cultural, em textos anteriores já tinha dado conta de algumas dessas linhas força, principalmente aquelas que enfatizam a dificuldade do “cumprimento dos programas” subjugados ao espartilho dos exames nacionais.

Como nos diz o colega Carlos Fontes, “o ensino implica sempre uma escolha de uma dado paradigma, e qualquer opção implica sempre a escolha de um dado modelo de sociedade”. A minha opção pelo Paradigma Humanista foi assumida desde o primeiro texto. Assumo uma perspectiva crítica da subordinação das escolas à economia, recusando que as mesmas possam ter como finalidade a mera transmissão de conhecimentos, medidos pela sua quantidade e eficácia prática, em detrimento da construção dos saberes integrados que possibilitem aos alunos uma compreensão mais ampla do mundo e de si próprios. Acredito que as grandes mudanças da sociedade começam pela mudança dos indivíduos e actuar nas escolas é a longo prazo contribuir para modificar a sociedade num dado rumo.

Questiono-me muitas vezes, se não seria mais profícuo determinar o modelo pedagógico que é reflectido no documento principal da nossa escola – o projecto educativo, em vez de me centrar, exclusivamente, nos aspectos positivos ou negativos da semana cultural?  Não será este o momento em que a análise se deixará subjugar pela matriz da escola situada?

publicado por Miguel Pinto às 15:19
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