Domingo, 18 de Abril de 2004

Equívocos ilusórios.

Das conversas a pretexto da escola cultural e do que se vai escrevendo sobre ela, de forma declarada ou implícita, é possível encontrar dois pontos de conflitualidade interligados. Em primeiro lugar, as boas experiências, consubstanciadas nos projectos locais das escolas situadas que traduzem uma eficaz coordenação interdisciplinar, parecem incompatibilizar-se com a actividade dos clubes escolares. Em segundo lugar, a singularidade da escola reflectida no seu projecto educativo permite a coexistência de vários modelos pedagógicos de escola se for essa a vontade da comunidade educativa numa lógica de descentralização das políticas educativas e do reforço das autonomias locais.

Tenho defendido a Escola Cultural como um modelo pedagógico de escola que valerá a pena construir, experimentar e adoptar. Pela filosofia da educação que lhe subjaz, pelas condicionantes directas e imediatas que resultam do quadro normativo vigente, pelos efeitos que gerariam nas nossas comunidades educativas. Mas, não cometerei o erro de afirmar que este modelo é a solução para os problemas que enfermam o nosso sistema educativo. Será, no mínimo, uma solução se for considerada como tal pelos actores que têm a incumbência de participar no acto educativo.

O modelo da Escola Cultural ou outro modelo pedagógico que seja imposto às escolas estará sempre condenado ao fracasso se ele não for percebido e adoptado pelos professores nas escolas (não há motivos para escamotear a sua influência no desenvolvimento do acto educativo) num processo, forçosamente, democrático.

Paradoxalmente, é esta a grande dificuldade e o maior desafio da Escola Cultural. Tornar-se ascessível.

publicado por Miguel Pinto às 20:33
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1 comentário:
De Miguel Sousa a 19 de Abril de 2004 às 17:26
Caro amigo, devo-te dizer que concordo contigo, ficando a faltar um "promaior"....não é possível continuar a apelar ao "espírito de missão" dos professores...é urgente dar-lhes condições, de todo o tipo, desde instalações dignas para exercer as suas profissões, às questões salariais, passando pela abolição de leis ou decretos que ferem um espirito saudavel para que se possa exercer a profissão com a qualidade que os alunos necessitam. Assim, pode-se exigir mais dos professores...

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