Sexta-feira, 19 de Março de 2004

Estágio precário (I)

Há meses que procuro suster a minha vontade em olhar para uma área fundamental do profissionalismo docente – o estágio pedagógico. Tenho hesitado em abordar este assunto por duas razões:

Em primeiro lugar, pela minha dificuldade em atacar a raiz dos problemas. Falar do estágio pedagógico isolando-o do processo de formação inicial seria uma visão demasiado simplista e empobrecedora que apenas nos permitiria aceder à rama dos problemas. Um estágio pedagógico visa a integração de um estudante no exercício da sua vida profissional regendo-se pelas normas da instituição universitária e por um quadro legal específico. Esta particularidade normativa comprometerá uma análise generalista em virtude da diversidade que subjaz aos diferentes planos de estudo. Para aprofundar esta temática há que a situar na extinção do  (Instituto Nacional de Acreditação da Formação de Professores) e na discussão que envolve a criação da Ordem de Professores. Matéria demasiado complexa que suscita outros olhares.

Em segundo lugar, a dinâmica do núcleo de estágio interage com a cultura da escola e, presumivelmente, com a subcultura do departamento/grupo disciplinar. Ora, esta incursão pela escola situada que busca um olhar profundo sobre o estágio pedagógico suscita um desprendimento na observação que eu não quero ter.

O que é que mudou?

publicado por Miguel Pinto às 17:23
link do post | comentar | favorito
|
5 comentários:
De miguel Sousa a 21 de Março de 2004 às 14:26
Caroamigo...obrigado pela confiança que depositas na minha honestidade intelectual e profissional...contudo, a única forma que temos para resolver o problema desses parasitas e profetas de uma profissionalidade falsa é criar regras....na minha modesta opinião...a obrigatoriedade de uma especialização..é um bom começo
De Miguel Pinto a 21 de Março de 2004 às 11:52
Re Manuel: Encontro um paralelismo entre o estágio pedagógico e o desporto como conceito abrangente (se me permites usar um exemplo familiar). O estágio (tal como o desporto) não é intrinsecamente bom. As práticas desportivas, em função da sua orientação e dos referenciais que utiliza, podem transformar-se em boas ou más. Podem produzir efeitos positivos ou gerar perversidades. As imagens associadas ao estágio pedagógico suscitam diferentes olhares sobre esse instante do nosso profissionalismo. Procurar discernir como é que são produzidas essas imagens é um trabalho que promete muito trabalho. Um abraço.
De Miguel Pinto a 21 de Março de 2004 às 11:47
Re Miguel Sousa: Não tenho dúvidas que procuras ser um bom orientador com ou sem
preparação adicional.
Como dizes e bem, o problema é que a nossa preparação é sempre insuficiente
atendendo à marcha e ao ritmo das mudanças. Sei que desenvolveste uma
ferramenta que te deixa permanentemente insatisfeito com o teu desempenho: a
capacidade de análise consubstanciada na auto-avaliação. Contudo, não são os
remendos que geram as consequências mais gravosas. São os
pseudo-profissionais "orientadores" que advogam um modelo profissional
assente na "cunha", no "chico esperto", na malandrice, no "tacho". É esse
cancro que me leva a olhar para a formação inicial, para o estágio
pedagógico e ver nele um enorme equívoco. Um abraço.
De Miguel Sousa a 20 de Março de 2004 às 22:06
Como sabes estou passando pela primeira vez pela experiencia de ser orientador..outro olhar que gostava ver analisado é o da formação específica do orientador...eu...por honestidade comigo próprio não voltarrei a se-lo..por uma razão simples...não me apetece meter numa pos graduação na area da supervisão pedagógica....este problemavai desembocar num outro...do papel do professor na escola...ou seja, nem sempre actuamos em áreas para as quais temos preparação suficiente...e tanto como eu, tu sabes que os remendos podem servir a na hora...mas acabam por ter consequencias drásticas
De manuel cabea a 19 de Março de 2004 às 17:30
uma achega a essa tua interrogação. Como é do conhecimento de quem passou ou acompanhou um estágio é que são dias para esquecer, que as palavras ouvidas são nunca mais, nem pensar, apetece-me desistir, etc. No entanto, no trabalho que desenvolvo sobre o trabalho docente nas diferentes entrevistas que já fiz o momento mais marcante e condicionante de toda a profissionalidade docente, mesmo daqueles que têm mais de 30 anos de serviço, foi o estágio. É, para muitos, um momento charneira, um momento cruacial, determinante na sua formação e, mais importante, na sua concepção da profissão. O que não deixa de ser interessante quando o que ouvimos é dizer mal. (Atenção não prpcuro com isto discutir as virtualidades ou os defeitos do trabalho de estágio).

Comentar post

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Julho 2005

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
28
29
30
31

.posts recentes

. Outro Olhar... só no blog...

. Novo lugar.

. Exemplos que (nada) valem...

. (Des)ordem...

. Outros olhares... a mesma...

. E esta?

. O blogspot encalhou.

. Bolonha aqui tão perto.

. Olhar distante.

. Faz de conta.

.arquivos

. Julho 2005

. Setembro 2004

. Agosto 2004

. Julho 2004

. Junho 2004

. Maio 2004

. Abril 2004

. Março 2004

. Fevereiro 2004

. Janeiro 2004

. Dezembro 2003

blogs SAPO

.subscrever feeds