Quarta-feira, 1 de Setembro de 2004

Prestar provas

Estamos numa época em que todos somos postos à prova. A necessidade de avaliarmos os outros, quantas vezes sem nos prestarmos à autoavaliação, decorrerá, a meu ver, de um cepticismo típico da mudança de paradigma social. Pessoas, instituições, modelos de organização, etc, não existe um sector de actividade social que esteja imune ao olhar inquiridor do cidadão, das associações profissionais e corporativas, dos decisores políticos e empresariais.
A discussão relativa aos resultados dos exames nacionais dos alunos do ensino secundário, anterior ao período de férias, relevou não só esta ideia de prestação de contas como emergiu a discussão sobre os instrumentos de avaliação. O exame foi tema de longas conversas embora poucos se atrevessem a examinar o exame.
Não é hora de ressuscitar a conversa. Seria inoportuno e a agenda educativa terá outros temas de interesse. Mas, ocorreu-me partilhar convosco alguns dos meus pensamentos dispersos.
Enquanto assistia a um debate sobre a questão do aborto despontou esta ideia, recalcada quem sabe, do exame. Congeminava com os meus botões a forma de examinar os intervenientes. Talvez pela relevância da sua função a minha atenção fixava-se nos deputados da nação. Matutava no instrumento de avaliação, o mais apreciado pelos próprios. Um exame parecia-me bem. Um exame psiquiátrico não estaria fora de questão para os desnorteados. Mas pensei no respeitável exame de conhecimentos. De papel e caneta. Quanto às matérias, elas decorreriam das temáticas em que são obrigados a emitir um juízo. Se a prova reflectisse pobreza de argumentos, evasão às questões em debate, “chumbo”. Recordei aquela tese de que um político não precisa de ser um especialista, um técnico e não precisa de dominar o assunto. As assessorias, os grupos de trabalho, colmatariam lacunas a esse nível. Que a estratégia é mais importante que a táctica. Duvido.
Mas, o que me incomoda realmente é a possibilidade de alguém decidir, mesmo que bem aconselhado, sem ter a noção do alcance das suas decisões.
Voltando ao painel televisivo. A discussão sobre o aborto deve ser, a meu ver, supra partidária. Dificilmente uma direcção de um partido ou grupo parlamentar expressará o juízo dos seus militantes e simpatizantes. A não ser que consideremos estar perante uma das dimensões motivacionais que determinam o sentido do voto.
Será por essa razão que os partidos políticos mais votados evitam agitar esta bandeira?
publicado por Miguel Pinto às 15:22
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6 comentários:
De allegra a 20 de Abril de 2005 às 19:17

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De whiteball a 2 de Setembro de 2004 às 23:44
Ah...pois; porque a questão tem muito o que se lhe diga!...Não é fácil...
Abraço, WB
De eduardo a 2 de Setembro de 2004 às 18:07
Desculpar-me-á a demora da visita e a minha parca participação no seu blog. Mas já estive a ler, não tudo com a atenção que merece, mas o suficiente para enriquecer os meus conhecimentos sobre problemas que a todos abrange e aflige.
Mas sabe como é, o regresso de férias torna-se mais uma tarefa para nos "organizarmos".
Eu volto.
Os meus cumprimentos
De Jos Manuel faria a 2 de Setembro de 2004 às 17:08
Muito boa a tua pergunta final. Do centrão Socrático então nem é bom falar.
De arselio a 2 de Setembro de 2004 às 00:56
O ridículo disto tudo é mesmo ter um país a olhar navios às ordens do governo com portas escancaradas para uma farsa que leva à cena para nos distrair. Porque é que eles precisam de tanta fumaça, tanta manobra de diversão? O que é que deixámos de ver?
De MJMatos a 1 de Setembro de 2004 às 19:39
Bem dito, Miguel. Por ser um tema em cada um age em consciência, não deveria ser decidido por partidos ou coligações de circunstãncia. Há algum paternalismo em tudo isto, nacional nas decisões do Parlamento, internacional no caso do barco.

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