Sexta-feira, 5 de Março de 2004

De caçador a caça

Não ficaria surpreendido se me ocorresse esta aparente transformação: passar de caçador a caça. Isto é, nesta busca por novas ideias, novos olhares sobre as coisas e sobre o mundo, existe esta possibilidade de ir acrescentando algo mais e de ser para os outros uma fonte de descoberta. Cruzando-me, virtualmente, com alguém que procurava Fullan (um dos maiores especialistas do mundo em mudanças educacionais) no Outro Olhar, encontrei num site brasileiro esta entrevista, muito curta, mas que sintetiza algumas das ideias-chave que trespassam os livros do autor. Num momento de grande desorientação da política educativa deste governo que avança, obstinadamente, sem ter em conta os resultados da investigação neste sector, não há como avivar argumentos a favor das medidas de longo alcance.

?: Pesquisas citadas pelo senhor mostram que uma escola primária leva três anos para mudar e uma secundária, seis. O senhor também costuma dizer que "é impossível obrigar a fazer o que realmente importa". Por quê?

Fullan: Você só pode obrigar a fazer o que não demanda reflexão ou habilidade para ser implementado e pode ser monitorado constantemente. É possível, por exemplo, determinar o uso do cinto de segurança entre motoristas. Mudanças educacionais, no entanto, requerem a aprendizagem de novas habilidades e competências, além de exigir compromisso, motivação, crença e capacidade de julgamento. É impossível forçar os educadores a pensar de modo diferente ou a desenvolver novas habilidades.

?: Como estimular essa mudança no modo de pensar?

Fullan: É preciso investir em alguns fatores básicos de mudança. A paixão pela atividade educativa é o primeiro deles. As escolas devem transformar-se em comunidades com liderança educacional compartilhada e onde o foco de todas as ações seja o ensino. Além disso, é essencial conquistar o engajamento das famílias e da comunidade.

?: Qual é o papel do diretor?

Fullan: Eu dou as seguintes orientações: compreenda a cultura da escola, valorize seus docentes, promova o crescimento deles e conecte-se ao ambiente externo.

?: Como será o profissional do futuro?

Fullan: Será alguém com um profundo compromisso moral: fazer diferença na vida de seus alunos. Só assim será possível construir conhecimentos cada vez mais sofisticados sobre tudo o que interfere na aprendizagem, incluindo as matérias. Acredito também que será uma pessoa capaz de interagir com os colegas de forma colaborativa e colegiada, além de estabelecer elos com pais e a comunidade, criando amplas redes de aprendizagem.

publicado por Miguel Pinto às 11:43
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