Terça-feira, 2 de Março de 2004

As modas na educação

O meu amigo Miguel Sousa no texto Dos valores... à Educação Física  sugere uma recolocação deste tema a partir de uma perspectiva que se enquadre no paradigma cultural da escola. Seria imprudente não reconhecer que o meu contributo para o esclarecimento desta matéria é secundário quando confrontado com a herança de um conjunto de individualidades de mérito reconhecido. Contudo, aproveito esta oportunidade para aclarar um caminho que gosto de percorrer e que se traduz pela reconfiguração da minha área disciplinar.

Um aspecto que não gerará grande controvérsia é a de que a relação Educação Física – Desporto está em processo de mudança. Gustavo Pires (2003) diz, e bem no meu entender, que a educação física já começou a mudar sem sequer ter dado por isso. Isto significa que o está a fazer sem que muitas pessoas tenham sequer consciência daquilo que está a mudar. Acredito que estas mudanças operadas na Educação Física derivam da transição inquieta da sociedade, que se traduz não só pelo colapso da certeza como pela crise dos propósitos morais, decorrentes das mudanças verificadas no ensino e no trabalho dos professores, como retrata de forma exemplar o trabalho de Hargreaves (1998). Este trajecto de mudança é acompanhado por uma nova hierarquização axiológica da nossa sociedade. Se “nada do que é humano deve ser esquecido na educação” (Patrício, 1993), não há motivos para que a Educação Física fique indiferente aos valores emergentes?

Abro aqui uma nova frente de debate para determinar o lugar das modas na educação. No que concerne à EF, Garcia (1999) defende “as modas (mesmo as desportivas), quiçá contra determinado pensamento hegemónico no desporto e na Educação Física” porque acredita que são portadoras de uma ética que se edifica na liberdade.

Será que as restantes áreas disciplinares estarão imunes ao fervilhar dos tempos? Se atender ao empolamento da contenda que envolveu a inclusão do regulamento de um programa televisivo de má qualidade nos manuais de Português, prevejo um grande ruído na escola.

publicado por Miguel Pinto às 23:12
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1 comentário:
De Miguel Sousa a 3 de Março de 2004 às 00:13
Meu caro amigo, este é mais um desafio que vou aceitar, mas confesso que tenho grandes duvidas em conseguir separar as modas, que não passam disso mesmo...de modas, daquelas que depois de serem modas, passam a ser certezas adquiridas pela sociedade. Quanto ás outras disciplinas, bom o caso é mais bicudo, porque estão demasiadamente presas ao programa. Lembras-te quanto tempo andaram a ensinar a história de portugal tão mal ensinadinhs.....???

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