Sexta-feira, 27 de Fevereiro de 2004

Deve a escola ter problemas de lateralidade?

Deixem-me acrescentar três notas à discussão sumária sobre esta coisa da esquerda e da direita iniciada pelo Manuel, continuada por mim e retocada no Mundos da Educação.

Primeiro acrescento: Numa conversa com a colega que coordena o projecto “JOVENS SAUDÁVEIS EM ACÇÃO: Projecto de Educação Sexual” falávamos de algumas das medidas anunciadas em matéria de educação sexual por este governo e esta maioria. Murmurávamos sobre o papel da comunicação social que não se limitava a informar e a esclarecer e a (in)acção dos professores. Ao meu lamento pela reduzida participação/reacção dos professores quando confrontados com medidas governativas inconsequentes, a colega lembrou-me de um aspectos que caracterizam o dia-a-dia de um professor e que o afastam deste palco onde a vida também se decide. A intensificação e a absorvência do trabalho docente acabam por desviá-lo de uma área de intervenção que se intromete na qualidade do seu trabalho e cujas consequências se manifestam na alienação da actividade política.

Segundo acrescento: Um eventual alheamento pela actividade política nacional ou local não significa que os professores estejam imunes à interferência da política nas suas vidas. Em primeiro lugar, pelas razões já assinaladas na primeira nota. Em segundo lugar, porque a escola é um espaço de conflito. Só com muita distracção é que não é possível acompanhar os movimentos da praga dos acólitos e das oligarquias que vão conquistando o seu espaço nas escolas utilizando refinadas técnicas de manipulação e que se dispõem a abandonar os seus postos, exclusivamente, de forma compulsiva.

Terceiro acrescento: Não conheço ninguém que defenda a unidimensionalidade da escola. Os discursos de direita e de esquerda apelam à pluridimensionalidade da escola porque o desenvolvimento integral do aluno assim o impõe. Uma escola cultural é por definição uma escola pluridimensional. Porquê uma escola cultural? Porque a finalidade da “(...) escola cultural não se restringe o seu programa educativo ao catálogo positivista dos saberes ditos «científicos», pois quer acolher a totalidade das formas do saber humano, a cultura humana em toda a sua riqueza. De onde se deu o nome de Escola Cultural” (Patrício, 1996:156).

Será possível encontrarmos uma Escola imune aos desatinos da esquerda e da direita? Se afastarmos a hipótese da reconfiguração do sistema educativo e da sociedade (embora perceba a proposta do J.P. Serralheiro), qualquer modelo de escola (o Manuel não se importará que eu insista) dependerá de um quadro normativo, sempre da responsabilidade do poder político.

publicado por Miguel Pinto às 21:21
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2 comentários:
De Miguel Pinto a 27 de Fevereiro de 2004 às 22:26
Obrigado pelo remate.
De manuel cabea a 27 de Fevereiro de 2004 às 21:51
ao teu último parágrafo, o meu comentário: obviamente.
E esse quadro normativo não é nem asséptico, nem imune às lógicas de esquerda e de direita, nem às mundovidências que cada um dos lados transporta.
Como nós, professores e outros, também não o somos. Afinal, na generalidade dos casos, até votamos.

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