Sábado, 28 de Agosto de 2004

A viagem...

Circulava pela net uma história muito simples. Tão bela que era que decidi adoptá-la dispensando a banda musical intemporal que a acompanhava. Também fala da vida, da profissão. É um retrato e uma estória de professor. Neste comboio em que nos encontramos há uma grande probabilidade de sairmos sem uma oportunidade para partilhar com os nossos companheiros as agruras deste percurso. Não é relevante onde é que se entrou e com quem se entrou. O importante é ter-se entrado até porque essa viagem prosseguirá com ou sem a nossa presença. Durante o trajecto, há quem prefira manter-se calado, dialogar com o parceiro do lado, procurar outro lugar e conhecer outros viajantes. Há quem preferia esquecer que progride como todos os outros. Como na vida ele sabe que não está só.

Cada um de nós saberá como enriquecer a estória, dar-lhe até outro significado. Isto a propósito de um comentário que recebi da Paula. É uma nova companheira de viagem, talvez já se encontre em trânsito há mais tempo que eu. Mas, o que importa é que está aqui, como todos os outros que deixaram a sua marca, como todos os outros que preferiram estar calados. A Paula comenta o texto que se encontra mais em baixo “Opinite” e diz o seguinte: “Deduzo das suas palavras que prefere a compartimentalização rigorosa de todos os saberes ("cada macaco no seu galho"), a ausência de crítica e debate de ideias, o silêncio talvez?... A blogosfera pode ter os seus excessos, mas tornou-se sem dúvida num espaço precioso de troca de ideias, de opiniões (sim, qual é o mal de ter opiniões?!), de experiências pessoais e testemunhos. Eu diria mesmo que se tornou num espaço de resistência. E penso que os debates em torno da Educação constituem um exemplo notável a esse respeito. Esta sua crítica irónica é ela própria parte de uma outra vaga de "opinionite" que agora varre a blogosfera: a dos que, imbuídos de um arrogante sentido de superioridade moral, se acham com legitimidade para criticar os que, num esforço para agitar o ambiente de apatia e pessimismo derrotista que o país atravessa, têm dado muito do seu tempo para apontar problemas, propor caminhos e gerar alternativas. Ninguém é perfeito, todos cometem os seus erros e imprecisões, mas entre o silêncio do conformismo e a troca viva de "opiniões", qual será preferível? O que me parece é que o despertar de um número crescente de consciências - designadamente em relação aos problemas da Educação - está a começar a incomodar muita gente. Sobretudo gente que o que mais deseja é que tudo continue como está...”

Há comentários que dispensam reparos porque pouco ou nada acrescentariam. O melhor será recuperar um texto que escrevi em 2 de Fevereiro do corrente ano. Que me desculpem os companheiros de viagem por esta redundância.
É curiosa a forma como reagimos aos ataques à crise da Escola, ao “modus vivendi” instalado e aos efeitos perversos que a praga de acólitos induz no sistema educativo. Com muita facilidade, encontramos na falta de preparação teórica dos críticos, muitos deles oriundos da comunicação social ou outros que emergem do interior das próprias escolas, um poderoso argumento que é utilizado para desconsiderar a diferença de opinião, reduzindo e circunscrevendo a discussão a um leque reduzido de “iluminados” que, esses sim, por conhecerem os “verdadeiros” problemas da educação estão habilitados a avançar com as soluções milagrosas. Considero que esta via não transformará as escolas em lugares mais atractivos e gratificantes. Bem pelo contrário, é cada vez mais necessário encorajar os professores e os restantes elementos da comunidade educativa a expressarem os seus pontos de vista, os seus olhares dirigidos para a Escola, e saber interpretar esses sinais. A crítica doentia ou não deve ser entendida como uma oportunidade de abertura para a mudança. Resta-nos saber discernir os motivos que a suscitam e utilizar, se formos capazes, os instrumentos teóricos necessários para esse desiderato.</em></font>
publicado por Miguel Pinto às 22:17
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3 comentários:
De Miguel Sousa a 29 de Agosto de 2004 às 23:16
o que te aconteceu, não é inédito as pessoas como estão de passagem não ganham tempo a ler os outros post...é como se fosse uma casa à venda numa imobiliária e o vendedor só se preocupasse com a mais recente...não te chateies, quem te conhece bem sabe que és um insuspeito respeitador. Coigo já não é assim. Acho que a frase "cada macaco no seu galho" é verdadeira e arrogante...mas porque será que ser arrogante é assim tão,,,,arrogante. Bom sempre, pode ser melhor fazer e dizer como s antigos "nãop fales do que não sabes",,,continua a ser pertinente, e ...óbvio.
De saltapocinhas a 29 de Agosto de 2004 às 01:50
Vim só desejar-te um bom domingo! estou com sono para ler isto tudo,volto amanhã!
De um aluno a 29 de Agosto de 2004 às 00:22
Não consigo perceber como se consegue ser tão... poético e doce a propósito (ou a partir) do artigo do João Bérnard da Costa, que é bastante rasteiro e chega a ser ofensivo. É de louvar!

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