Segunda-feira, 23 de Fevereiro de 2004

A performance numa escola inclusiva

No Rio Acima encontrei um texto de António Teodoro que não me deixou indiferente. A questão é a seguinte: “É possível à esquerda, nos tempos de hoje, construir as bases de um novo senso comum, capaz de ajudar a formular uma agenda educacional de um novo bloco social interessado em impulsionar (e realizar) políticas progressivas de paz, justiça social, felicidade e liberdade?”

O autor quer contribuir “para a construção de uma agenda educacional, capaz de gerar novos sensos comuns mobilizadores de esperança e de acção transformadora”, e enuncia três pontos de partida. Remetendo a descoberta das propostas do autor para o texto original, foi o terceiro ponto de partida que suscitou este olhar.

“O terceiro ponto de partida pode ser expresso na tentativa de materialização da consigna uma escola de excelência para todos, entendida como uma resposta (e uma alternativa) à crítica que os neoconservadores fazem ao abaixamento da qualidade do ensino e às pedagogias da escola actual. António Magalhães e Stephen R. Stoer (2002, 2003) pensam em encontrar essa alternativa construindo um continuum heurístico entre pedagogia e performance, lembrando que se a pedagogia sem performance não é "nada", como defendem os neo-meritocratas mais radicais, também não há performance sem pedagogia, pois, por mais mecânico que seja o conhecimento, ele é sempre "veiculado", ou seja, mediado por um processo pedagógico.”

Aproveitando os resquícios de uma discussão análoga na área da educação física entre o desporto de rendimento e o rendimento desportivo o que é que vejo? Observo um desporto de rendimento associado a um sistema educativo meritocrático e a performance associada ao rendimento desportivo enquanto objectivo ético a ser perseguido. Se a defesa do desporto rendimento na escola é um equívoco na medida em que não é possível praticá-lo neste contexto devido à ausência dos pressupostos necessários, o mesmo se passará com um sistema de ensino que adopte como quadro de referência a meritocracia.

A conceptualização do rendimento, enquanto grandeza cultural e moral, legitima a subordinação da performance à pedagogia. Um elemento que poderá ser acrescentado neste esforço de reconstrução do senso comum é a afirmação do significado em vez da excelência (Graça, 2003): "O significado é ponte da passagem da acção humana, o que é importante para cada um de nós; o significado concorre para a busca da excelência; o significado é um valor mais democrático. Está ao alcance de todos.”

O argumento do significado não rejeitará, bem pelo contrário, a presença do rendimento, da competência, comprovação, auto-avaliação e da competição. Só a presença do significado abrirá caminho a um escola com sentido.

publicado por Miguel Pinto às 21:50
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