Sábado, 24 de Janeiro de 2004

Internamento compulsivo do governo

O número pode ser, paradoxalmente, a força e a fraqueza dos professores. Acresce-se ainda o facto de sermos um elemento constituinte de um corpo ainda maior – o funcionalismo público. É um colectivo que sofre porque não tem controlo do seu próprio corpo. E não controlando o seu corpo fica mais vulnerável às agressão externas. O olhar exterior deste corpo tem dele uma má imagem. Mas problema maior é que este olhar na 3ª pessoa não difere da representação que os funcionários públicos têm de si próprios. Isto é, o olhar da 3ª pessoa não é diferente do olhar na 1ª pessoa. Hoje, a imagem deste corpo é uma imagem de corpo-objecto (um corpo em si). Fala-se da sua configuração estática (da morfologia ou dos elementos constitutivos), das suas propriedades dinâmicas (das funções específicas). Mas, para se perceber este corpo é necessário falar na 2ª pessoa. Isto é, há que perceber que a sua aparência física induz nos outros, no meio social, um conjunto de percepções, expectativas e comportamentos que, retroactivamente, modelam as suas características psicológicas. Este olhar sobre o corpo na 2ª pessoa fez interiorizar nos funcionários públicos uma imagem fraca e débil.
Mas, este corpo tem uma coerência somatopsíquica. Para que as suas estruturas morfológicas funcionem será necessário que a sua estrutura orgânica a alimente. Isto é, será necessário que os diversos sistemas constituintes estejam mais implicados de forma a assegurar o funcionamento do conjunto. Será necessário melhorar cada um destes sistemas. Para além disso, há que cuidar das estruturas perceptivas. Elas fazem a recepção das mensagens provenientes do próprio corpo e do meio exterior.
Esta é uma visão biológica do funcionalismo público. Seria uma visão cartesiana do funcionalismo público. Porém, uma visão redutora do funcionalismo público. Nesta perspectiva, o Estado, o governo do Estado, as estruturas superiores do funcionalismo público, tratariam de dar a coesão a este corpo biológico. Como se fossem entidades independentes e descomprometidas. Como se o próprio governo não fosse corpo.
É esta a imagem que, desgraçadamente, os nossos ministros têm de si próprios. Uma má imagem. Talvez seja a imagem que muitos adolescentes têm de si próprios quando olham para um corpo onde o ritmo de maturação das estruturas biológicas não é harmonioso. O problema maior é que se crê que a solução para resolver os problemas do Estado passa pela amputação dos seus membros ou de outro qualquer elemento constituinte. Um adolescente que demonstre esta intenção terá de ser internado. Diria, compulsivamente internado.
Proponho por esse facto, o internamento do governo, dos seus ministros e dos secretários de estado. Se não tivéssemos tantos problemas no sector da saúde, sugeriria também o acompanhando clínico de alguns deputados (da maioria e da oposição) que sofrem do mesmo mal.
publicado por Miguel Pinto às 12:48
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