Domingo, 18 de Janeiro de 2004

Passo a passo em direcção à Escola Cultural

Paternalismo e paroquialismo

 Por diversas vezes fiz referência à minha crença de que é possível mudar a escola. Não uma mudança qualquer, um fingimento ou brincadeira de mudança, mas uma ruptura com a unidimensionalidade da escola. A orientação dos post que escrevi nesta ainda curta passagem pela blogosfera inscrevem-se nesta vontade e apontam para uma ideia de escola pluridimensional.

Vivemos numa Escola enredada por paradoxos e perversidades e que teima em caminhar de costas voltadas para as necessidades dos alunos e para os interesses de uma sociedade instável. É neste quadro em que nos encontramos e por isso é compreensível, embora não seja inevitável, a defesa da reconfiguração do sistema educativo em novos moldes como resposta à nova sociedade que temos. Contudo, neste sistema educativo ou outro que se venha a desenhar, não creio que o professor seja dispensável pelo esvaziamento da sua função. Por esse facto, há que identificar estrangulamentos e deficiências estruturais da escola que será necessário remover para concretizar esta escola ou outra desde que tenha o mesmo quadro de referência - a pessoa que é o aluno. É neste enquadramento que aparece o paternalismo e o paroquialismo.

A dependência exclusiva na confiança pessoal e nas formas de colaboração que assentam nela pode conduzir ao paternalismo e paroquialismo. Quantas escolas fazem o apelo da grande família que nós somos e depois adopta uma lógica de protecção aos filhos e abandono dos bastardos. O depositar uma maior confiança no conhecimento especializado e nos processos pode ajudar as organizações pós-modernas a desenvolverem-se e a resolverem continuamente os seus problemas. Não se trata, obviamente, de deixar de confiar nas pessoas. Ao confiar nos métodos e nos processos teremos de assumir o risco de confiar nos colegas mesmo que ainda não os conheçamos bem. Não se trata de adoptar uma lógica empresarial, mas de adoptar uma lógica que não se limite ao aprofundar das relações interpessoais. Também não se trata de fomentar a burocracia que o formalismo e o esquematismo exacerbados promovem. O que se procura é estimular a confiança mútua entre os professores numa lógica inclusiva consubstanciada na complementaridade das suas qualificações e atributos. É disso que se trata.

publicado por Miguel Pinto às 19:27
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