Sexta-feira, 16 de Janeiro de 2004

Acólitos na imprensa

As razões que se invocaram para que os funcionários públicos e os professores em particular fossem contemplados com o congelamento dos salários para 2004 são conhecidas.

A discussão acerca da justeza da medida não se afastará de dois tipos de preconceitos: Um preconceito ideológico mais ou menos retorcido (há Estado a mais ou a menos; o Estado é pesado e há que conter as despesas ou é necessário atacar o problema das receitas, etc., etc.). Obviamente, quem desvaloriza o papel social do Estado irá sempre pensar que o seu custo é excessivo e quem considera os serviços do Estado essenciais para uma sociedade mais solidária valorizará as pessoas que prestam esses serviços. Um preconceito moral que vê nesta medida uma forma de punir a pretensa ineficácia do funcionalismo público associado à crença das benesses indevidas; ou pelo contrário, avança na defesa da imagem social do funcionário público que está degradada e precisa urgentemente de ser renovada.

Claro que uma discussão deste género será sempre desadequada porque mistura o que deve ser separado pela singularidade dos serviços que se prestam e porque não é capaz de discernir os bons e maus serviços, as boas e más práticas. Mas é uma discussão conveniente para o discurso político da maioria que nos governa. Através da opinião publicada conseguiu convencer a opinião pública que a via para ultrapassar os problemas suscitados pela pretensa crise teria de ser feita, essencialmente, à custa do esforço dos cidadãos mais privilegiados, os funcionários públicos que ganham mais de 1000€. Subscrevendo no essencial o comentário do colega Manuel, suspeito que uma parte dos funcionários públicos esteja satisfeita com este congelamento. Essencialmente os funcionários que se servem do Estado através dos proveitos ilícitos, da incompetência e do desleixo.

Mas, há boas razões para um sentimento de indignação. Acresce-se ao leque dos motivos que legitimam o nosso inconformismo o papel servil de uma boa parte da comunicação social. Avanço com uma explicação para a sua cumplicidade. Embora o meu post anterior fosse escrito a pensar na escola, a praga dos Acólitos invadiu o sector privado ainda com mais vigor. A subserviência que denotam alguns comentários e análises políticas é tal, que comprometem uma suposta isenção, descomprometimento, independência, e idoneidade na análise.

A incursão da ideologia neoliberal com vista à tomada do senso comum avança e continua empolgante. Quem é que a poderá travar?

publicado por Miguel Pinto às 20:04
link do post | comentar | favorito
|

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Julho 2005

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
28
29
30
31

.posts recentes

. Outro Olhar... só no blog...

. Novo lugar.

. Exemplos que (nada) valem...

. (Des)ordem...

. Outros olhares... a mesma...

. E esta?

. O blogspot encalhou.

. Bolonha aqui tão perto.

. Olhar distante.

. Faz de conta.

.arquivos

. Julho 2005

. Setembro 2004

. Agosto 2004

. Julho 2004

. Junho 2004

. Maio 2004

. Abril 2004

. Março 2004

. Fevereiro 2004

. Janeiro 2004

. Dezembro 2003

blogs SAPO

.subscrever feeds