Sexta-feira, 9 de Janeiro de 2004

O acessório quer ser fundamental.

A blogosfera tem sido uma boa experiência, por isso recomendável. Com o meu entusiasmo procuro mobilizar, na escola e fora dela, mais gente, outras ideias, outras experiências de vida, outros olhares. Sinto-me bem quando o faço. Os resultados visíveis, para já, são diminutos se os avaliar pela participação escrita. Contudo, a extensão das vantagens da minha participação diária neste espaço terá de recorrer a outros indicadores, porventura, mais adequados. A alteração da opinião, dos valores, das ideologias é um processo complexo. Não tenho a pretensão de a provocar nos outros. Se for capaz de clarificar os meus pontos de vista, de me tornar previsível quanto às questões basilares da minha acção, é uma conquista notável.

Num conjunto considerável de blogs, os seus autores procuraram logo como nota de abertura, definir o sentido do seu espaço. É uma estratégia respeitável. Porém, não foi a minha e não me sinto arrependido. Preferi, previamente, explicar a minha crença numa determinado modelo pedagógico de Escola – Escola Cultural –, apontar alguns equívocos e perversões das escolas situadas, das escolas “reais”, assim como decidi assinalar dois efeitos nefastos das incongruências encontradas nas políticas neoliberais que nos governam – o sentimento de culpa – e o desconhecimento da importância da corporalidade. Vi nestes aspectos a tradução de uma visão retrógrada de educação e caracterizam a escola unidimensional. Porque é um espaço interactivo, aqui e ali fui deixando reparos a alguns artigos ou blogs que considerei pertinentes.
Por outro lado, sempre me senti intelectualmente livre para ordenar os assuntos e tratar os temas incondicionalmente. Não creio que pudesse ser de outra forma. Admito que as minhas questões fundamentais, através de um olhar diferente, sejam consideradas acessórias. Mesmo para mim, muitas vezes, o acessório e o fundamental estão tão interligados que se confundem. O conhecimento é tão efémero que há que evitar o ambiente de hostilização e de desvalorização de outras formas de pensar e conhecer. Talvez este esforço me ajude a discernir com mais segurança os pontos de corte entre o que é para mim o básico e o secundário.

Fundamental é neste momento, e no meu entender, assinalar aquilo que nenhuma escola do futuro pode desprezar: a pessoa que é o aluno. E uma escola agride o aluno se não cuidar da sua corporalidade.
António Damásio tem contribuído, talvez de forma indirecta, para este esclarecimento. Porquê a corporalidade? O autor explorou a importância da emoção no comportamento racional, explicou porque as bases do Si radicam no corpo, deu uma machadada fatal no dualismo cartesiano recusando-se a separar mente de corpo.
Ver nesta discussão uma defesa dos interesses corporativos é um sintoma de que a balcanização está entrincheirada nas escolas.
publicado por Miguel Pinto às 15:10
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