Sexta-feira, 2 de Janeiro de 2004

Paradoxos... (II)

...de uma Escola que ambiciona ser Cultural.

2. Hoje, existe uma crença generalizada de que os constrangimentos legais nos afastam, progressivamente, deste modelo pedagógico de escola. Os desígnios da ideologia neoliberal e neoconservadora (cf. Cortesão, 2000 ; Pacheco, 2000) “oficial” já apontaram as suas baterias para as escolas e para o trabalho dos docentes, cada vez mais intenso, tendo obtido excelentes resultados na propagação desta crença. Embora este assunto, pela sua relevância actual, mereça um outro desenvolvimento, centremo-nos apenas nas questões que nos ajudam a abrir caminho à mobilização dos recursos educativos para a Escola Cultural.

Não bastará definirmos um modelo pedagógico e um quadro de actividades educativas a desenvolver na escola para dizermos que estamos perante uma Escola Cultural. O professor Manuel Ferreira Patrício (o mentor da Escola Cultural) vai mesmo mais longe ao afirmar que a civilização contemporânea é caracterizada pelo culto da quantidade. “A escola não deve ser um templo desse culto” (...) e o professor cultural nada tem que ver com a propaganda mais ou menos beata ou mercenária da cultura, desde logo falsa cultura. Por outro lado, “a cultura é, por definição, a exigência da qualidade. A Escola Cultural deve ser inflexível no culto da qualidade” (Patrício, 1996: 186) . A Escola Cultural deve ser basicamente uma boa escola curricular, mas não deve cometer-se o erro de supor que os equipamentos educativos e os espaços devam ser definidos, apenas, em função das necessidades e exigências da escola curricular. Devem ser definidos em função da escola cultural como um todo. Seria uma injustiça tremenda não reconhecer que a nossa escola com um funcionamento de regime duplo terá grandes dificuldades em servir os fins da escola cultural.

Mas, estaremos interessados em gerir criativamente os espaços e os tempos? Um esforço desta natureza transporta custos, riscos e resistências. Curtner-Smith (1999) considera que os professores resistentes à mudança usam “a retórica estratégica”. Para Sparkes (1991) os professores, que se vêem como perdedores no processo da mudança, são provavelmente, os mais resistentes às inovações, enquanto os professores “sideliners” não realizarão qualquer tipo de acção.

O maior contributo destas duas perspectivas é que nos obriga a olhar em primeiro lugar para a escola, a escola vivida, e procurar discernir as dificuldades de execução das reformas e das mudanças. Talvez encontremos lá as respostas que procuramos.

publicado por Miguel Pinto às 16:16
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