Quinta-feira, 1 de Janeiro de 2004

Paradoxos... (I)

...de uma Escola que ambiciona ser Cultural.

A escola democrática suscita a crítica, a participação activa em todas as valências da vida escolar, cultiva a diversidade e não fica indiferente às convulsões sociais que alastram à escola. Os ventos de mudança chegaram ao campo educativo e o papel da educação é exactamente o de situar o homem no seu tempo, nos seus problemas e necessidades. Por essa razão, a Escola não deve estar de costas voltadas para a sociedade. Se a sociedade está em mutação, a Escola como microcosmos da sociedade que é deve estar atenta ao seu quadro axiológico, cada vez mais instável. A Escola deixou de ser aceite como um referencial de verdade, viu destruída a sua autoridade moral e desgastado o prestígio da função docente. Sobejam, por isso, razões para a discussão.
Em primeiro lugar, há que tratar as questões conceptuais. Mais tarde, surgirão as operacionais.

1. Urge discernir o modelo pedagógico que é reflectido no Projecto Educativo que nos guia. Foi adoptado, e muito bem, o paradigma da Escola Pluridimensional/Cultural. É uma Escola que entende o aluno como pessoa, numa busca de equilíbrio entre autonomia e responsabilidade social. Isto é, toma como quadro de referência o aluno na busca incessante do seu aperfeiçoamento integral e recorre a uma estrutura pluridimensional cujas dimensões específicas potenciam nos educandos capacidades particulares. Uma Escola Cultural considera todas as dimensões específicas: lectiva, extra-lectiva, interactiva, ecológica ou global. A Escola, mais do que um mero local de transmissão de saberes, tem de se assumir como um factor de integração da sociedade. Os clubes escolares satisfazem os propósitos dos princípios da autodeterminação concretizados na liberdade individual, diferenciação e heterogeneidade das actividades extralectivas. Paradoxalmente, enquanto que a importância dos clubes escolares numa Escola Cultural é inquestionável, a Escola insiste na sua tradição unidimensional.

Que factores inibem a operacionalidade dos clubes escolares? O que fazer para reanimar e impulsionar os clubes que foram decapitados?

Os clubes devem funcionar numa atmosfera de co-responsabilidade entre alunos/professor que será variável em função do grau de ensino. Se as responsabilidades de operacionalização dos diversos clubes estão claramente definidas, a coordenação, avaliação e interacção destas actividades nunca foram consideradas relevantes. A criação de uma secção do Conselho Pedagógico com competências neste domínio – por exemplo, um Conselho Cultural e Desportivo – poderia ser uma solução. Ninguém ficará isento de responsabilidades nesta matéria mas aos órgãos de gestão e administração escolar não caberá garantir a consolidação do modelo pedagógico da escola que está expresso no projecto educativo?

publicado por Miguel Pinto às 19:39
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