Segunda-feira, 26 de Janeiro de 2004

Uma ponta do novelo

Pode ser um começo, uma ponta do novelo. O post do Manuel deu o mote e eu acrescentarei outros olhares. Perceber qual o papel que está reservado ao professor neste princípio de século. É o desafio que se coloca após uma demorada discussão sobre a escola situada no seu tempo. Não ficarei por aqui. Introduzirei novas questões esperando que elas me guiem neste percurso sinuoso.
Adopto como verdadeira a tese de que o papel do professor não será indiferente ao seu quadro de referência – a Escola. Nesta medida, a discussão anterior ancorará as nossas posições. Tenho-me ocupado da Escola Cultural. Considero, sem falsa modéstia, que a argumentação utilizada dispensa a busca da sua relevância na actual conjuntura. Já lá vão quase duas décadas. Manuel Ferreira Patrício enunciava uma série de problemas ou desafios que ainda não perderam actualidade: problemas de reconversão profissional, problemas de formação inicial de raiz, problemas de formação inicial em serviço, problemas de formação contínua, problemas de formação especializada e problemas de completamento de habilitações.
Como o risco de perder a ponta é grande, há que olhar o novelo com distanciamento.
publicado por Miguel Pinto às 21:32
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O monstro

Hoje, fui mais uma vítima do monstro da nossa função pública – a burocracia.
Confesso que a espera prolongada numa fila para obter uma certidão de nascimento na conservatória do registo civil seria hilariante não fosse o cansaço que se apoderou de mim a partir dos 30 minutos de demora.
Em primeiro lugar, pelo espaço de atendimento. A partir da sua configuração é possível determinar, desde logo, a filosofia que lhe está subjacente. O lugar do cidadão é secundário e o balcão traça os limites de um local pouco acolhedor e exíguo. Em segundo lugar, pelo percurso labiríntico do formulário que vai pousando de secretária em secretária aguardando pelo carimbo, pela verificação e pelos restantes procedimentos administrativos. Em terceiro lugar, pela lógica balcanizada que se percebe da organização do serviço. Senti que as amarras deste método corrói a paciência aos utentes e o voluntarismo dos funcionários. Em quarto lugar, pelo subaproveitamento dos recursos tecnológicos actuais – das novas tecnologias de informação – que consolida o obscurantismo que se apoderou da administração pública. Por último, o elo mais fraco deste sistema – o funcionário. É a cara do sistema e o alvo das críticas. A revolta do cidadão provocada pela ineficácia dos serviços é, muitas vezes, descarregada no funcionário que os atende. Não vi qualquer sinal de incompetência e desleixo que justifique qualquer rótulo depreciativo.
Contudo, admitamos que quando se conjugam duas variáveis: um sistema que trata mal as pessoas e um funcionário inábil, a mistura é um explosivo.
publicado por Miguel Pinto às 13:47
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Domingo, 25 de Janeiro de 2004

Para comentar...

Este post é uma cópia do mail que recebi de um colega. Há já algum tempo que abordamos a blogosfera vendo nela um espaço para discutir a escola e a vida e, mais do que isso, partilhar e aprender com as experiências escritas dos outros.
Não farei, por enquanto, qualquer comentário ao que é dito. O tema é relevante não só pela sua actualidade como nos obriga a mergulhar na escola que queremos no futuro.

"Recentemente o governador do Banco de Portugal afirmou que para a manutenção do nosso modelo económico e desenvolvimento vai ser necessário o acolhimento de um número substancial imigrantes , no mesmo sentido o governo prepara-se para uma alteração da lei da imigração e que vai , muito logicamente, permitir o reagrupamento familiar. Há dois campos em que tem de haver particular atenção e sensibilidade : a saúde e educação. Como é que vamos preparar as nossas escolas para acolhermos estes novos estudantes?? Particularmente no uso do Português , já que outras "línguas" são mais universais , o que podemos fazer e como se pode fazer?? Nós ,um país de emigrantes , que sabemos como situações semelhantes se passaram , que vamos agora fazer?
Quando começamos a preparar o inevitável??"
publicado por Miguel Pinto às 22:31
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Sábado, 24 de Janeiro de 2004

Novo olhar

Não sabemos quantos somos. Vagueamos pela blogosfera com interesses diversificados e opiniões divergentes. Contudo, a Escola será um tema aglutinador quando quisermos. Mais um colega se junta ao espaço que queremos ampliar. Está aqui.
publicado por Miguel Pinto às 17:46
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Internamento compulsivo do governo

O número pode ser, paradoxalmente, a força e a fraqueza dos professores. Acresce-se ainda o facto de sermos um elemento constituinte de um corpo ainda maior – o funcionalismo público. É um colectivo que sofre porque não tem controlo do seu próprio corpo. E não controlando o seu corpo fica mais vulnerável às agressão externas. O olhar exterior deste corpo tem dele uma má imagem. Mas problema maior é que este olhar na 3ª pessoa não difere da representação que os funcionários públicos têm de si próprios. Isto é, o olhar da 3ª pessoa não é diferente do olhar na 1ª pessoa. Hoje, a imagem deste corpo é uma imagem de corpo-objecto (um corpo em si). Fala-se da sua configuração estática (da morfologia ou dos elementos constitutivos), das suas propriedades dinâmicas (das funções específicas). Mas, para se perceber este corpo é necessário falar na 2ª pessoa. Isto é, há que perceber que a sua aparência física induz nos outros, no meio social, um conjunto de percepções, expectativas e comportamentos que, retroactivamente, modelam as suas características psicológicas. Este olhar sobre o corpo na 2ª pessoa fez interiorizar nos funcionários públicos uma imagem fraca e débil.
Mas, este corpo tem uma coerência somatopsíquica. Para que as suas estruturas morfológicas funcionem será necessário que a sua estrutura orgânica a alimente. Isto é, será necessário que os diversos sistemas constituintes estejam mais implicados de forma a assegurar o funcionamento do conjunto. Será necessário melhorar cada um destes sistemas. Para além disso, há que cuidar das estruturas perceptivas. Elas fazem a recepção das mensagens provenientes do próprio corpo e do meio exterior.
Esta é uma visão biológica do funcionalismo público. Seria uma visão cartesiana do funcionalismo público. Porém, uma visão redutora do funcionalismo público. Nesta perspectiva, o Estado, o governo do Estado, as estruturas superiores do funcionalismo público, tratariam de dar a coesão a este corpo biológico. Como se fossem entidades independentes e descomprometidas. Como se o próprio governo não fosse corpo.
É esta a imagem que, desgraçadamente, os nossos ministros têm de si próprios. Uma má imagem. Talvez seja a imagem que muitos adolescentes têm de si próprios quando olham para um corpo onde o ritmo de maturação das estruturas biológicas não é harmonioso. O problema maior é que se crê que a solução para resolver os problemas do Estado passa pela amputação dos seus membros ou de outro qualquer elemento constituinte. Um adolescente que demonstre esta intenção terá de ser internado. Diria, compulsivamente internado.
Proponho por esse facto, o internamento do governo, dos seus ministros e dos secretários de estado. Se não tivéssemos tantos problemas no sector da saúde, sugeriria também o acompanhando clínico de alguns deputados (da maioria e da oposição) que sofrem do mesmo mal.
publicado por Miguel Pinto às 12:48
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Sexta-feira, 23 de Janeiro de 2004

Ministério da Educação balcanizado

“O Ministério da Educação está balcanizado” (Público). 
Riria se o momento não fosse tão desesperante.
publicado por Miguel Pinto às 10:43
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Visitas diárias

Uma vez mais e pela mão do Manuel dois "novos" olhares dirigidos à Escola. Entram directamente no lote das minhas visitas diárias: Dias insertos e Educomunicação.
publicado por Miguel Pinto às 10:18
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Quinta-feira, 22 de Janeiro de 2004

Temos frio na Escola

A temperatura no termómetro assinalava -2ºC. Eram 8.20h quando entrei no pavilhão gimnodesportivo. Ao entrar senti um arrepio ainda maior do que aquele que sentira quando saí do carro. Tudo leva a crer que a temperatura dentro do pavilhão seria ainda mais baixa. Os alunos, a funcionária de serviço e eu, estoicamente, lá cumprimos o nosso dever com determinação.
Sinto-me indignado quando me confronto com os ataques sistemáticos dirigidos à Escola e aos seus profissionais. É uma ofensiva proveniente dos gabinetes ministeriais e de alguns fazedores da opinião pública. Creio que esta cruzada visa desacreditar a Escola Pública pretensamente “despesista”, com má qualidade e que não consegue agarrar os seus alunos (as últimas notícias diziam respeito à elevada taxa de abandono escolar).
Não me movo por impulsos corporativos e não me parece que as Escolas sejam diferentes de outros sectores de actividade onde os bons e maus profissionais vivem lado a lado. Separar o trigo do joio é um problema que urge resolver urgentemente sem demagogia, sem tentarmos a manipulação da opinião pública. Todos viveríamos melhor se se aclarasse a qualidade e a falta dela. Na Escola, na política como na vida. Emergem as soluções fáceis acopladas à hipocrisia. Dizem-me que o problema na Escola se resolve com a figura do gestor. Eu não acredito. Prefiro acreditar nos estudos internacionais e nos exemplos de outros países que adoptaram soluções análogas arraigadas pela mesma crença com resultados que ninguém quer avaliar.
Não é usual que os professores se entretenham a transferir o ónus da culpa dos desacertos que grassam no sistema educativo. Motivos não nos faltam. Quem ainda não se sentiu enxovalhado pela indiferença governativa, pelos burocratas que se preocupam, fundamentalmente, com a demonstração da sua imprescindibilidade no sistema e pelos jornalistas que olham para a Escola usando a mesma lente que se utiliza na avaliação da fruta no mercado? Quem é não poderia alegar, legitimamente, a falta de condições mínimas e dignas de um trabalho cuja relevância social é inquestionável?
Apesar de tudo, os -2ºC que suportamos no Inverno ou os 40ºC que aguentamos no Verão têm sido melhor tolerados do que as explicações levianas e gastas dos gabinetes ministeriais que encontram na conjuntura internacional um bom abrigo para esconder a sua inaptidão para resolver os problemas dos cidadãos.
publicado por Miguel Pinto às 22:05
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Passo a passo em direcção à Escola Cultural (IV)

Uma aproximação à formação contínua

 Tem sido muito pausada a minha aproximação ao problema da formação contínua de professores. Em três anos Portugal gastou 110 milhões de euros em acções de formação de docentes. Num país em que os problemas são relevantes a partir do momento em que desembocam no domínio financeiro, este dado seria suficiente para provocar uma discussão generalizada. Emergiria com naturalidade a seguinte questão: O dinheiro foi bem ou mal aplicado?
Não pretendo com isto tornar irrelevante a necessidade de prestação de contas e considerar a gestão dos dinheiros públicos um assunto desprezível. Bem pelo contrário. Numa conjuntura em que os recursos escasseiam aumenta a responsabilidade de que tem que gerir a “coisa” pública. Só é admissível um destino. O bom uso (nesta matéria a demagogia dos dirigentes políticos tem feito escola). Por favor, não me perguntem para já o que é isto do bom uso dos dinheiros públicos porque eu não sei responder. Mas prometo que vou procurar a resposta.
Contudo, não será esta a razão principal que me conduz à formação contínua.

Como em educação tudo é um meio para um fim: o acto educativo, a formação inicial e a formação contínua procuram, cada uma no seu tempo, equipar o professor com as ferramentas necessárias para que o acontecimento educativo se transforme num acto de excelência.
No post anterior fiz referência a três perspectivas que me ajudaram a clarificar o posicionamento dos professores perante as inovações curriculares. Agora impõe-se determinar a influência de três tipos de socialização nos professores empenhados na inovação. Num outro momento tratarei da formação contínua propriamente dita.
Recorro à teoria de socialização ocupacional de Lawson (1986) que considera a existência de três tipos de socialização nos professores de Educação Física. Salvaguardando a especificidade desta disciplina não forçarei qualquer paralelismo com outra área. Contudo, não rejeitarei eventuais correspondências.
A aculturação é um processo que começa no nascimento e tem uma influência profunda nos professores de Educação Física, muito tempo antes da sua formação inicial. O entendimento do que significa ser professor de educação física é desenvolvido com as interacções de experiências significativas desde a infância. Neste processo, assumem uma importância particular as observações e as experiências dos professores em geral e de educação física e de desporto em particular, juntamente com suas interacções com os outros adultos responsáveis pelo treino desportivo e actividade física.
A socialização profissional consiste na influência da formação inicial e contínua de professores e é definida por Lawson (1986) como "o processo pelo qual os professores adquirem e mantêm os valores, as sensibilidades, as habilidades, e os conhecimentos que são julgados ideais para a educação física que ensinam". Os dados empíricos sugerem que o impacto da socialização profissional é relativamente fraco quando comparado com a aculturação. Entretanto, a formação inicial de professores é, provavelmente, a maior influência quando existe uma concordância entre a “Universidade”, a ideologia profissional e “uma cultura técnica compartilhada” (isto é, os conhecimentos e as habilidades requeridas para o ensino da educação física).
A socialização organizacional é definida como “o processo em que cada um aprenderá um papel organizacional particular”. Nos casos onde a socialização profissional envolveu uma tentativa de inovar e teve pouco impacto, as habilidades e os conhecimentos aprendidos durante a formação inicial de professores são, provavelmente, muito aligeiradas. É um processo que é referido como “um efeito de esmorecimento”.
Finalmente, Lawson notou que os factores específicos do local de trabalho poderiam restringir os novos professores e as suas ideias inovadoras. O autor sugeriu que as escolas em que a socialização dos novos professores era colegial (com outros novos professores), sequencial (ocorrendo através de uma ordem planeada), variável (não ocorrendo num período fixo), asseguravam a inovação. Em contraste, nas escolas em que a socialização dos novos professores era individual, aleatória (sem nenhuma ordem particular), informal, disjuntiva (não envolvendo um mentor) e alinhada (as ideias e habilidades novas eram bem acolhidas) não promoveriam a mudança.

Considero agora, que é possível encarar o problema da formação contínua com mais segurança.

publicado por Miguel Pinto às 09:21
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Quarta-feira, 21 de Janeiro de 2004

Passo a passo em direcção à Escola Cultural (III)

Mudanças superficiais e mudanças reais

A mudança tem sido a palavra mais usada desde que aqui cheguei. E não o fiz porque se trata de uma moda. A mudança é o termo mais indicado para traduzir o equilíbrio instável em que temos de estar para impulsionar a inovação. Sendo a inovação uma mudança intencional há que ter em conta não só as intenções como as necessárias condições. É a relevância deste movimento evolutivo no desenvolvimento profissional do professor que justifica esta minha insistência.

A pergunta mudar para quê (?) deixará de fazer sentido a partir do momento em que assumimos que a mudança é um imperativo ético. Mudamos para sermos mais e melhores.

Volto à questão inicial reconfigurada. Num momento em que se procuram introduzir alterações curriculares como é que os professores se posicionam neste quadro de mudança?

Recorrerei a Sparkes (1991) porque o autor identificou três perspectivas (tecnológica, ecológica e cultural) que nos ajudam a perceber o impacto das reformulações do currículo nas práticas dos professores. Considera que as mudanças superficiais (o uso de novos materiais curriculares por exemplo) são fáceis de induzir, enquanto que as tentativas de mudar as práticas dos professores já serão, provavelmente, menos bem sucedidas. Isto é, as mudanças de opinião, de perspectivas e valores são extremamente difíceis de accionar. É a dimensão que Sparkes designa de mudança real. As mudanças que ocorrem nas práticas dos professores não implicam, necessariamente, um questionamento dessas práticas ou uma alteração das suas ideologias e opiniões acerca das práticas educacionais. Mas quando discutimos a mudança real, uma dimensão chave a considerar será a transformação da opinião, dos valores e das ideologias que sustentam as suposições e práticas pedagógicas dos professores.

A perspectiva tecnológica focaliza a mudança do conteúdo que se reflecte nas mudanças operadas nos alunos. Frequentemente, as tentativas tecnológicas de mudança são iniciativas em grande escala, projectadas por equipas de peritos de um nível de ensino mais elevado ou dos gabinetes governamentais. O Currículo Nacional é um bom exemplo deste tipo de inovação.
Estas tentativas centralizadas de mudança têm sido criticadas dentro de alguns círculos porque suscitam mudanças a um nível superficial. Contudo, a adopção do novo currículo pelos professores talvez seja a primeira etapa e ela é necessária, porque se considera uma pré-condição para a mudança real. Esta primeira etapa poderá ser ou não ultrapassada após a percepção da sua própria “competência”. Um currículo não será adoptado enquanto o professor não se sentir capaz de corresponder às exigências subjacentes a esse decisão.

Na perspectiva ecológica, a mudança ou a falta dela, após uma alteração curricular, é explicada pelas eventuais escolhas políticas, pelas estruturas organizacionais e pelas circunstâncias em que os professores trabalham. Referimo-nos à ausência ou à presença de “constrangimentos situacionais”, como turmas grandes, a escassez ou falta de instalações e equipamentos.

Ao tentar examinar os efeitos das inovações no currículo, a partir de uma perspectiva cultural, este autor dirigiu a sua atenção para o ‘que o professor pensa, acredita, e presume. Segundo esta perspectiva, os professores que são muito resistentes à mudança usam frequentemente “a retórica estratégica”. Isto é, a mudança que os professores dizem ter ocorrido após a alteração dos programas não se verifica nas suas práticas.

Contudo, são as mudanças reais que me interessam. È para aí que irá o meu olhar.

publicado por Miguel Pinto às 12:01
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