Quinta-feira, 11 de Março de 2004

O valor das coisas...

Hoje é um dia marcante e obriga-nos a pensar nesta nossa passagem fugaz pelo tempo.
A vida é efémera. O bom e o mau, enlaçados em espaços contíguos. Foram algumas horas a separar o Santiago Bernabéu da estação de Atocha.
publicado por Miguel Pinto às 10:07
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Quarta-feira, 10 de Março de 2004

Protesto

Jornada de luta para amanh㠖 Manifestações, concentrações, paralisações.

Não faltam motivos para o protesto. Mas será que as fórmulas do passado servem para os dias de hoje?

publicado por Miguel Pinto às 18:49
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Do galope ao trote...

Estes últimos dias têm sido intensos. A blogosfera acabou por conquistar o seu espaço no meu tempo. Ao aumentar o ritmo da interacção, inevitavelmente teria de pagar a factura por esse investimento. Tirar horas ao sono e ao descanso foi uma solução ocasional que não quero dilatar. Mas a vida é assim mesmo: é feita de tempos e contratempos, uma vez a galope outra a trote.
publicado por Miguel Pinto às 18:19
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A moda dos exames II

No Causa Nossa, Vital Moreira (VM) faz uma referência ao meu comentário sobre o seu post “exames no ensino básico”. Ao ler o seu texto percebi que tinha deixado alguns rabos-de-palha na minha escrita. Creio mesmo que os meus pontos de vista ainda não dispensam alguns apêndices, perdoados às personalidades públicas, como é o caso de VM, talvez porque apresentam um legado farto de intervenções e publicações.

É com grande emoção que me deixo envolver nas discussões onde os temas, mais do que examinados, são vividos. Falar da educação e da escola é falar também da minha vida. Entrei muito cedo na escola e ainda permaneço lá. Isto não significa ficar refém de uma visão endógena da educação. Contudo, se os olhares lançados do interior da escola não forem revestidos por uma forte atitude filosófica, a posição seria constrangedora. Parafraseando Manuel Ferreira Patrício (1996:52): “não é possível realizar a prática humana mais importante, que é a da construção humana do próprio homem, sem a pensar ao fundo e sem lhe dar sentido”.

Regressando ao assunto. Falar dos exames ou de outras medidas de regulação e de controlo social da Escola Pública sem atendermos à política educativa que, no caso português, está impregnada por uma ideologia neoliberal e neoconservadora, seria uma discussão redutora na medida em que omitiria o porquê dessas medidas. João Barroso (2003: 74) ao caracterizar a evolução recente do sistema educativo português considera que “se assiste hoje, em Portugal, no quadro de uma «crise de soluções» gerada pela queda do mito da reforma educativa, à promoção, na comunicação social e junto de largos sectores da opinião pública, de um diagnóstico «catastrofista» sobre a situação em que se encontra o nosso sistema educativo”. Segundo o autor, “esse diagnóstico pretende abrir caminho à aceitação pela opinião pública de propostas de cariz «neo-liberal»(...)” (privatização do ensino, a subordinação da educação à lógica do mercado, com a livre escolha pelos pais, a competição inter-escolas, etc.) misturando essas iniciativas com outras mais conservadoras (o reforço da autoridade, do rigor, etc.). É neste contexto que vemos ser tomadas algumas das medidas de regulação institucional que vão no sentido de uma substituição do «controlo pelas normas» por um «controlo pelos resultados» (Barroso, 2003). Os exames são um dos múltiplos dispositivos de avaliação e de controlo das aprendizagens e dos resultados escolares.

A hostilização aos opositores das medidas que supostamente conduziriam à prestação de contas e à avaliação do desempenho acaba por rotular os signatários de corporativistas e, subliminarmente, de incompetentes. Ao não pactuar com medidas transviadas que visam, unicamente, conquistar o discurso do senso comum e que afastam dos fóruns de discussão os problemas e as matérias essenciais para a promoção da qualidade da educação, procuro restabelecer um problema central que urge resolver na educação – a revitalização da função personalizadora da escola.

É aqui que me encontro com a escola cultural.

publicado por Miguel Pinto às 00:55
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Terça-feira, 9 de Março de 2004

Provas aferidas (II)

A Dr. Ana Benavente (AB) na Página da Educação de Março questiona o sentido das provas aferidas. Considera que o espírito que subjaz à sua criação foi, abusivamente, adulterado pelo actual governo, na justa medida em que transformou um elemento de regulação das escolas num instrumento de crítica indiscriminada.

Não resisto a tecer dois comentários à posição veiculada pela deputada do PS. Subscrevo o que disse quanto à deturpação do diploma da reorganização curricular (dec. lei 6/2001) pelo actual executivo que coarctou a margem ínfima de liberdade das escolas através de orientações relativas à Área de Projecto e ao Estudo Acompanhado.

Vejo, simultaneamente, uma grande contradição no discurso da ilustre deputada. Ao enfatizar a liberdade que o referido diploma conferiria às escolas, liberdade consubstanciada na pretensa flexibilidade do projecto curricular, AB deixou escapar o grande vazio desta proposta socialista: o espaço para as actividades educativas autodeterminadas. São as actividades com base na livre expressão da vontade dos alunos, atendendo aos recursos existentes na escola, que reúnem professores e alunos em grupos dedicados a actividades educativo-culturais determinadas pelos seus membros. O princípio pedagógico da autodeterminação educativa fornece uma orientação geral para apoiar o crescimento gradual da liberdade do educando. Enquanto que o princípio da heterodeterminação é de homogeneização, o da autodeterminação é a diferenciação e a individuação, enquanto aquele se ordena para a inteligência passiva, este ordena-se para a inteligência activa.

A Área de Projecto nunca veio a preencher o espaço de liberdade que está adstrito aos clubes escolares.

Percebo a dificuldade com que os responsáveis pela educação lidam com o problema da liberdade. A função socializadora da escola nunca foi equilibrada pela função personalizadora. Porquê? É um dos paradoxos que ninguém quer dilapidar.

Avanço com uma explicação: a instrumentalização da escola é um feudo que o poder instituído não abdicará espontaneamente. É que assim será mais fácil manipular o eleitor.

publicado por Miguel Pinto às 00:17
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Domingo, 7 de Março de 2004

A moda dos exames

O texto de Vital Moreira (VM) – Exames escolares – no Causa nossa suscitou este breve comentário. Não se trata de desejar qualquer consenso sobre a temática. Ela permitirá tantas abordagens que a maior dificuldade é percebermos qual é a posição em que nos encontramos quando dirigimos o nosso olhar. Nestes últimos dias li e ouvi muitas declarações, tomadas de posição e comentários de vários quadrantes políticos e sociais. Vários actores se manifestaram a favor ou contra esgrimindo os argumentos que souberam. Contudo, decidi acrescentar algo à discussão tomando como referência o referido texto, porque provém de um personalidade que nos habituou à excelência. Poderá ser considerado um atrevimento fazer o que me proponho, mas as referências são isso mesmo: pessoas que norteiam e que nos obrigam à pensar mais alto.

Aferi sem qualquer surpresa a concordância de VM pelas recentes medidas anunciadas pelo Ministro da Educação. A sua independência intelectual permite-lhe demarcar-se do(s) discurso(s) de esquerda porque crê que os exames nacionais, no 6.º ano, de Matemática e Língua Portuguesa, “podem contribuir fortemente para o fomento da qualidade do ensino, para o incentivo da exigência de professores e escolas, para a criação de uma noção de responsabilidade por parte dos alunos”. No seu entender, a questão central não se prende, exclusivamente, com a necessidade de verificar as aprendizagens dos alunos mas, como sublinha no seu texto, aferir o desempenho dos professores.

Não vendo grande consistência nos seus argumentos, porque será que VM disse o que disse?

Creio mesmo que terá algo mais para dizer do que efectivamente disse.

Se o objectivo do poder instituído é a promoção de um sentido de responsabilidade aos actores responsáveis pela qualidade da educação, alargando esta responsabilidade aos pais e todos aqueles que participam directa ou indirectamente neste processo, então há que encontrar um mecanismo que seja adequado ao desiderato. Querer de forma enviesada aferir a qualidade do desempenho dos docentes através da instrumentalização dos alunos é sempre condenável sob um ponto de vista ético. Também não subscrevo os argumentos psicologistas que os exames provocam qualquer tipo de trauma às crianças. As avaliações não são intrinsecamente torturantes. O problema está nas práticas avaliativas deficientes e incorrectas sob o ponto de vista pedagógico. Todos sabemos que os exames no ensino secundário têm um efeito perverso, coagindo as práticas lectivas às amarras programáticas e transformando os alunos em meros receptáculos da matéria. Um programa estático, fechado e máximo, dificilmente dará o seu lugar ao programa dinâmico, aberto e mínimo. É a pedagogia positivista no seu esplendor. Queremos alargar esta praga para os níveis de ensino elementares?

E a quem que isto interessa?

Talvez interesse aos ideólogos neoliberais e neoconservadores que procuram impor uma lógica que ameaça a lucidez pedagógica e educacional. A lógica do mercado já iniciou a sua incursão no terreno educativo.

publicado por Miguel Pinto às 19:17
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Arranjos no blog

Personalizar, acrescentar e desviar olhares que pararam no tempo. São como as pausas num caminho que ainda agora começou.
publicado por Miguel Pinto às 11:08
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Sexta-feira, 5 de Março de 2004

De caçador a caça

Não ficaria surpreendido se me ocorresse esta aparente transformação: passar de caçador a caça. Isto é, nesta busca por novas ideias, novos olhares sobre as coisas e sobre o mundo, existe esta possibilidade de ir acrescentando algo mais e de ser para os outros uma fonte de descoberta. Cruzando-me, virtualmente, com alguém que procurava Fullan (um dos maiores especialistas do mundo em mudanças educacionais) no Outro Olhar, encontrei num site brasileiro esta entrevista, muito curta, mas que sintetiza algumas das ideias-chave que trespassam os livros do autor. Num momento de grande desorientação da política educativa deste governo que avança, obstinadamente, sem ter em conta os resultados da investigação neste sector, não há como avivar argumentos a favor das medidas de longo alcance.

?: Pesquisas citadas pelo senhor mostram que uma escola primária leva três anos para mudar e uma secundária, seis. O senhor também costuma dizer que "é impossível obrigar a fazer o que realmente importa". Por quê?

Fullan: Você só pode obrigar a fazer o que não demanda reflexão ou habilidade para ser implementado e pode ser monitorado constantemente. É possível, por exemplo, determinar o uso do cinto de segurança entre motoristas. Mudanças educacionais, no entanto, requerem a aprendizagem de novas habilidades e competências, além de exigir compromisso, motivação, crença e capacidade de julgamento. É impossível forçar os educadores a pensar de modo diferente ou a desenvolver novas habilidades.

?: Como estimular essa mudança no modo de pensar?

Fullan: É preciso investir em alguns fatores básicos de mudança. A paixão pela atividade educativa é o primeiro deles. As escolas devem transformar-se em comunidades com liderança educacional compartilhada e onde o foco de todas as ações seja o ensino. Além disso, é essencial conquistar o engajamento das famílias e da comunidade.

?: Qual é o papel do diretor?

Fullan: Eu dou as seguintes orientações: compreenda a cultura da escola, valorize seus docentes, promova o crescimento deles e conecte-se ao ambiente externo.

?: Como será o profissional do futuro?

Fullan: Será alguém com um profundo compromisso moral: fazer diferença na vida de seus alunos. Só assim será possível construir conhecimentos cada vez mais sofisticados sobre tudo o que interfere na aprendizagem, incluindo as matérias. Acredito também que será uma pessoa capaz de interagir com os colegas de forma colaborativa e colegiada, além de estabelecer elos com pais e a comunidade, criando amplas redes de aprendizagem.

publicado por Miguel Pinto às 11:43
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Quinta-feira, 4 de Março de 2004

Por isto...

Por isto </a>e por outras coisas mais é que receio uma escola acéfala, professores operários irreflexivos e parcos de competências, alunos obedientes e acomodados perante as injustiças, pais ausentes ou acorrentados aos resultados académicos e encandeados pela emergente escola paralela, autarcas imbecis, órgãos de comunicação social mercantilistas e dados ao servilismo.
publicado por Miguel Pinto às 22:11
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Avaliatite

Esta notícia do Público que anuncia a intenção do ministro Justino em reeditar os exames para o 6º ano, restaura o ditado que diz qualquer coisa parecida com esta: “a galinha não fica mais pesada por continuar-mos a colocá-la na balança.”

A crença que comanda o ME é que a qualidade do sistema melhora com o aumento exponencial dos exames. Esta doença que alguém chamou um dia de “avaliatite” entrou no ministério da educação. A cura passa pelo afastamento compulsivo do ministro e dos seus assessores.

publicado por Miguel Pinto às 20:45
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