Terça-feira, 22 de Junho de 2004

À educação obrigatória compete a educação geral.

Como foi observado, e bem, num comentário à entrada anterior, as considerações de Sacristán servem de orientação para qualquer discussão que vise encontrar o(s) sentido(s) de uma educação obrigatória. É uma nova oportunidade para alargar a reflexão.

À educação obrigatória compete a educação geral.
É inequívoco o carácter multifuncional da escolarização obrigatória. O indivíduo é integral, multifacetado, expressa-se diferenciadamente, aprende de forma diversa, revela a existência de múltiplas inteligências. Este indivíduo requer uma escola e uma escolaridade polivalente.
Como é que esta diversidade pode romper com a tradição escolar homogénea, que procura (mas não encontra) o aluno tipo?

publicado por Miguel Pinto às 00:35
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Segunda-feira, 21 de Junho de 2004

Educação obrigatória

Arredados da discussão em sede própria (na escola), os professores, encarregados de educação e demais interessados, tomaram conhecimento pelos meios de comunicação social de uma ocasional (se atendermos ao consenso gerado) alteração à LBSE. Uma das medidas integradas na futura Lei de Bases da Educação é o aumento da escolaridade obrigatória de nove para 12 anos.

Vejamos a proposta de Sacristán (2002: 86)  para este debate que afinal não existiu:

  • À educação obrigatória compete a educação geral.

  • A especialização educativa nas escolas.

  • Um ensino obrigatório com um conteúdo valioso.

  • Um sujeito dotado de ferramentas básicas para inserir-se no mundo cultural.

  • A cultura escolar substantiva e densa deve ser subjectivada e atraente para fazer parte dos sujeitos.

  • A cultura escolar deve aproveitar a variedade e a riqueza dos meios através dos quais nos pode ser acessível.

  • O aluno que aprende é um ser singular que deve ser apoiado na sua autonomia.

  • A educação ilustradora requer um clima que possibilite a expansão criadora.

  •  Professores de qualidade para a educação obrigatória.
  • </ul>
    publicado por Miguel Pinto às 18:46
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    Sem campainha.

    Olho distante e vejo o dia em que a escola funcionará sem o horário rígido de aula. Nesse dia será muito fácil diversificar ritmos de aprendizagem, propor actividades variadas, trabalhar com projectos adequados às possibilidades de cada um.
    Apenas uma única certeza: Não estarei no tempo da escola tecnicista!
    publicado por Miguel Pinto às 17:46
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    A função de custódia.

    No próximo ano lectivo a “minha” escola funcionará com mais 3 turmas. Serão pouco mais de 70 alunos numa escola que já se encontra sobrelotada.
    Estamos avisados que este problema será resolvido em dois anos. A construção de uma nova escola arrancará ainda este ano (?).
    Descansem que até lá... os alunos estarão bem guardados!
    publicado por Miguel Pinto às 17:23
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    Sábado, 19 de Junho de 2004

    Os comentários.

    O valor de um comentário é maior do que o seu conteúdo. É imprevisível perceber o alcance do que é dito num espaço como este. Ao desconhecermos as circunstâncias que motivam as opiniões e a vontade de participar, torna ainda mais estimulante este debate de ideias diário. O comentário da Emília a este texto é algo enigmático. Afasto-me da questão da culpa que suscitou o seu comentário para focar um dos efeitos que ele causou. A Emília diz crer que “só pode existir evolução/alteração quando as coisas não se reproduzirem a si próprias, como é o caso da escola”. Esta afirmação encerra uma das funções da escola – a reprodução cultural. Sendo a escola um espaço de propagação da cultura, fonte de significados e ferramentas para interpretar o nosso mundo, aprender a aprender assume um sentido especial na nossa cultura porque nos obriga a estar sempre a aprender e a renovar o que foi aprendido. Para chegar à meta do aprender a aprender é necessário ir aprendendo (há que valorizar as aquisições).
    É paradoxal, sem dúvida, esta incumbência da escola que reproduz os conteúdos culturais para depois se tornar dispensável à medida que o educando cresce na sua autonomia.
    publicado por Miguel Pinto às 00:35
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    Sexta-feira, 18 de Junho de 2004

    Oportunidades...

    Em Maio relatava aqui uma proposta direccionada para os alunos do ensino básico que se têm dado mal na escola, num quadro que prefigura o abandono escolar precoce. Nestas circunstâncias, a escola teria de demonstrar versatilidade na abordagem ao problema. Se há coisa que não deverá fazer é nada fazer.
    Como eu gostaria de ver quebradas as barreiras disciplinares e de assistir a uma experiência transdisciplinar. A debilidade da escola curricular em resolver este tipo de problemas é evidente. A lógica organizacional da escola ainda não encontrou o aluno tipo e continua, teimosamente, à procura dele.
    O que eu posso garantir, neste momento, é que estes alunos, se regressarem das férias, não estarão sozinhos!
    publicado por Miguel Pinto às 21:10
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    Fadiga...

    Aqui e ali começo a ceder ao cansaço de um ano lectivo intenso mas, simultaneamente, farto de pequenas coisas agradáveis. Um edital como o do Professorices parece-me bem, mas não o farei. Seria incapaz de resistir aos apelos que chegam da escola através da blogosfera, das notícias (cada vez mais abreviadas), ou do balanço realizado intra-muros.
    Vou procurar aligeirar as conversas, as discussões e piscar o olho à outra face do trabalho – o descanso.
    publicado por Miguel Pinto às 17:26
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    A culpa é dos professores.

    A expressão sacudir a água do capote caracteriza muito bem este tempo em que vivemos. A evasão das responsabilidades é meio caminho andado para deixar tudo na mesma. Em todos os quadrantes sociais, desde o cultural, político, económico, desportivo, etc., verifica-se esta propensão, apetece-me dizer generalizada, para fugirmos às responsabilidades.
    A entrada do Manuel remete-nos para este texto do Público que é paradigmática do clima em que vivemos e que referi anteriormente. Da Escola e de Futebol todos percebem um pouco. Todos temos o nosso lado de treinador de bancada, todos temos uma solução na manga para resolver os problemas do insucesso escolar (neste caso, disciplinar). Curiosamente, a solução para o problema da Matemática é retirar dos professores a responsabilidade de pensar e decidir a orientação dos programas, retirar da sua alçada a decisão sobre a adopção de manuais e “obrigá-los” a uma formação contínua como deve ser. Nada de formação em tapetes de Arraiolos ou outras coisas do género (já me pronunciei aqui sobre esta matéria). Como a responsabilidade pelos níveis deficitários de conhecimentos, competências ou outra tecnologização qualquer, dos alunos é dos professores (sempre dos professores que se encontram nos níveis anteriores) que não ensinam e estão mal preparados, será da responsabilidade dos professores universitários a deficiente preparação destes professores. Encontramos, brilhantemente, com um raciocínio singelo e linear os culpados pelo insucesso da Matemática. Os professores universitários da área da Matemática. Os mesmos que querem reparar agora a deficiente formação dos seus ex-alunos.
    Claro que só a ligeireza de análise, pouco fundamentada e populista é que permitirá transferir o ónus da culpa para aqueles que aparentemente se encontram num nível inferior (de ensino, hierárquico ou outro qualquer).
    publicado por Miguel Pinto às 11:45
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    Quinta-feira, 17 de Junho de 2004

    Breve olhar.

    Esta entrada  e esta motivou uma “conversa” viva e agradável de um conjunto de colegas. Mesmo que a reflexão conjunta não permita objectivar os resultados, ninguém terá ficado indiferente aos pontos de vista do outro. É crível que a mudança, mesmo que superficial e subjectiva, tenha ocorrido.

    RJB sugere uma maior visibilidade aos comentários. É isso que me proponho fazer e acrescentar, aqui e ali, alguns reparos.

    pi+2 através do seu comentário tocou num aspecto interessante, susceptível de grandes controvérsias: O dilema do enciclopedismo e da essencialidade no ensino secundário. Diz o seguinte: “O que penso que maioria dos professores do ensino superior (ES) deseja é que os seus alunos oriundos do ensino secundário, em particular aqueles que frequentaram vias não profissionalizantes, seguramente mais estruturadas para o acesso ao ES, possuam um conjunto de conhecimentos e de competências que fazem parte dos objectivos curriculares do ensino secundário. Nem mais nem menos. Um exemplo muito claro para que se entenda o que pretendo dizer: será aceitável que um aluno que entra no ensino superior não saiba redigir um texto em português de forma minimamente estruturada, sem erros ortográficos ou de pontuação? Conhecimentos e competências desta natureza deveriam ter sido asseguradas há muito ao nível dos ensinos básico e secundário. Acha que afirmar isto é remeter o ensino secundário a uma vertente instrutiva? Eu penso definitivamente que não é. Até porque espero muito mais dos ensinos básico e secundário”. Estou certo que o exemplo escolhido não gerará qualquer contestação. Contudo, mantêm-se os problemas conceptuais entre educação e instrução.

    Partindo do comentário de MJMatos é possível chegar a outro dilema: o ensino secundário deve ser transitivo ou intransitivo? Deve ser organizado para preparar os alunos para a vida cívica e complementarmente preparar os alunos para o ensino superior? MJMatos diz o seguinte: “Relativamente ao comentário de pi+2, acima, acrescentaria eu que o que é mencionado como uma competência para acesso ao superior a conferir pelo básico e secundário, também é uma competência básica de cidadania. Não penso que seja útil definirem-se os objectivos do básico e secundário em função do superior. Isso é, claramente, redutor do papel daqueles níveis de ensino, criando eventuais conflitos de interesse quando existem, em paralelo, objectivos mais profissionalizantes, As competências básicas de cidadania, essas sim, já me parecem um bom objectivo estruturador”.

    Através do comentário de Henrique Jorge chegaremos ao problema da avaliação: Avaliação interna-externa, avaliação selectiva-formativa, exames nacionais-regionais. “Eu coloco apenas uma questão: prescindem os professores do Ensino Básico e Secundário da sua avaliação? Imagino que não. Os exemplos que tenho, até revelam uma tendência para que essa avaliação decorra com o maior poder discricionário possível por parte do próprio professor. Que coisa estranha esta ideia de que mais ninguém deve avaliar os alunos!... Porquê?...”

    É evidente que esta discussão não se apagará aqui. Como exorta o Manuel, ela deve continuar na escola, na escola situada, que deve ser transformada no palco privilegiado para acolher a discussão e a decisão. “É esta discussão que procuro e que deve ser promovida em cada escola, saber e debater o que queremos, como queremos e para que queremos. Se esta discussão não acontece no lugar certo, que é a nossa escola, é também certo que alguém nos dirá como fazer e como proceder”.

    Se queremos passar da lógica do acesso aos detentores do poder para a lógica da decisão não nos restará outra alternativa.

    (Só uma pequena curiosidade, este é o texto 200 :))

    publicado por Miguel Pinto às 00:35
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    Quarta-feira, 16 de Junho de 2004

    Ensino secundário livre das amarras (II)

    No post anterior defendia a necessidade de dotar o ensino secundário de uma identidade baseada no princípio da autonomia e responsabilidade. MJMatos,num comentário curto e pertinente, sugere o esclarecimento da questão: Qual será o objectivo do Secundário sem amarras?
    Recorro a Joaquim Azevedo (citado por José Matias Alves) que defende, na sua dissertação de doutoramento (1998: 524) o seguinte: “o ensino e a formação de nível secundário poderiam ancorar a sua reestruturação como ensino e formação de massas, não já sob o signo de uma ou outra funcionalidade predominante, mas pelo superior objectivo de formar criadores. Criadores de sentido (...) criadores de cooperação humana, criadores de novas soluções e de novos projectos, empreendedores, criadores de trabalho e criadores na fruição do seu tempo livre”.

    Obviamente que a prossecução deste objectivo não reclama o abaixamento da fasquia da exigência e qualidade das aprendizagens. Bem pelo contrário, a qualidade é um imperativo ético que não pode ser arredado da escola.

    publicado por Miguel Pinto às 11:05
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