Terça-feira, 15 de Junho de 2004

Ensino secundário livre das amarras.

Uma vez mais cruzam-se olhares em torno dos caminhos que a educação pode trilhar. No blog Nós-selanão surpreende a perspectiva dominante dos colegas do ensino superior que enfatizam o carácter instrutivo do ensino básico e secundário. O objectivo é o apetrechamento dos alunos com um nível de conhecimentos sólidos e estruturados que lhes permitam abordar o ensino superior, no ramo científico ou humanístico, com as ferramentas adequadas para as exigências desse nível de ensino.
Será possível pensar num ensino secundário livre da tutela do ensino superior, livre da função selectiva, que dê um maior relevo à função educacional e promocional dos alunos? Interessante a ideia do Manuel que remete para as universidades a realização dos exames de acesso.
Há, sem dúvida, um novo fôlego na discussão.
publicado por Miguel Pinto às 21:55
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Pré-balanço.

Nestes últimos dias a minha participação na blogosfera incidiu numa longa, mas profícua troca de comentários tendo a escola como pano de fundo. Henrique Jorge, autor de Um prego no sapato lançou o seu olhar para a avaliação do desempenho docente a partir de um caso particular. A avaliação do desempenho docente é um assunto que o preocupa na qualidade de encarregado de educação e é também uma matéria que me agrada porque acrescento a esse atributo o interesse natural que resulta da minha profissionalidade. Recupero, a propósito, este texto de Adalberto Dias de Carvalho na Página onde alerta para a necessidade de avançarmos com prudência no processo de avaliação do desempenho de forma a que o sentido humano da relação pedagógica não seja inviabilizado.
Do debate enfatizou-se a redefinição das oportunidades de participação dos encarregados de educação na vida escolar dos educandos. É paradoxal o apelo insistente que é feito do interior do sistema educativo ao envolvimento e participação dos encarregados de educação no processo educativo, ao mesmo tempo que o próprio sistema se fecha sobre si próprio como que receando os ventos da mudança.
publicado por Miguel Pinto às 15:07
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Paragem forçada!

Não fui o único a parar. Desde o Alentejo às Ilhas e presumo que o resto do país também deve ter parado para ver se os resultados das eleições se confirmavam.
Sei que foram engolidos alguns sapos.
publicado por Miguel Pinto às 13:53
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Domingo, 13 de Junho de 2004

Voto!

Exercício de cidadania.
publicado por Miguel Pinto às 09:56
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Sábado, 12 de Junho de 2004

Frentes de discussão.

Da discussão sobre a escola paralela (das explicações ou dos centros de estudo) e ensino secundário elejo 4 questões que podem desencadear novos olhares:
Será forçoso que o ensino secundário se transfigure no funil de acesso ao ensino superior?
Serão os exames nacionais imprescindíveis na aferição da qualidade dos saberes dos alunos?
De que padecem as disciplinas de Matemática, Inglês, Física e Química que, invariavelmente, fazem encalhar os alunos?
Quem é se assume vencedor neste modelo de organização do sistema educativo? E quem são os perdedores?
publicado por Miguel Pinto às 12:24
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Sexta-feira, 11 de Junho de 2004

Um outro olhar.

É impossível não reparar na transformação visual operada neste espaço. Alguns amigos reagiram com algum espanto à paleta seleccionada considerando-a agressiva, provocadora e futebolista. A mudança transportará vários sentidos? Será uma farpa sarcástica à alienação colectiva motivada pelo EURO 2004, um outro olhar apreensivo ao desnorteio da política externa servil em dia de Portugal, a valorização excessiva da forma e do acessório num época marcada pelo efémero?

Para que este desassossego seja inteligível nada melhor do que esta anedota rabiscada pelo Nelson.
Sherlock Holmes e Dr.Watson vão acampar. Montam a tenda e, depois de uma boa refeição e uma garrafa de vinho, deitam-se para dormir. Algumas horas depois, Holmes acorda e sacode o seu fiel amigo:
- Meu caro Watson, olhe para cima e diga-me o que vê. Watson responde: - Vejo milhares e milhares de estrelas. Holmes então pergunta: - E o que significa isso? Watson pondera por um minuto, depois enumera: 1) Astronomicamente, significa que há milhares e milhares de galáxias e, potencialmente, bilhões de planetas. 2) Astrologicamente, observo que Saturno está em Leão e teremos um dia de sorte. 3) Temporalmente, deduzo que são aproximadamente 03h15min pela altura em que se encontra a Estrela Polar. 4) Teologicamente, posso ver que Deus é Todo Poderoso e somos pequenos e insignificantes. 5) Meteorologicamente, suspeito que teremos um lindo dia amanhã. Correcto? Holmes fica uns segundos em silêncio e então responde: - Watson, seu idiota! Significa apenas que alguém roubou a nossa tenda!

Será que esta mudança pode ser explicada por uma das várias teorias que se propuseram aclarar o fenómeno da visão cromática?
O que importa é que tudo não passa de um outro olhar.

publicado por Miguel Pinto às 14:03
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As negociatas (III)

Não me sinto obrigado a corroborar teses corporativas. Tenho procurado promover análises suficientemente distantes dos interesses mesquinhos e pessoais, busco os constrangimentos (locais ou nacionais) que obstruem as iniciativas locais e impedem o desenvolvimento dos diversos projectos educativos, denuncio práticas depravadas dos diversos actores educativos, aponto soluções quando elas se afiguram como tal. Demarco-me, categoricamente, de um seguidismo acéfalo que poderá manter um statu quo mas que conduzirá ao atrofiamento da profissão, na medida em que a fará desligar das mutações sociais e impedir a sua regeneração.

Aproveito a esta entrada para clarificar algumas ideias:

  • Uma escola que promove a escola paralela dos explicadores ou dos centros de estudo é uma escola inscrita no ideário neoliberal mitigado. Esta ideia está admiravelmente desenvolvida por José Pacheco aqui. Na página 10 pode ler-se: “ O Estado neoliberal identifica-se nas práticas de segregação e de produção de desigualdades reais porque não põe em risco os interesses e a liberdade individual. (...) As práticas neoliberais perspectivam a educação como sendo um dos pilares fundamentais no edifício económico, sobretudo se for entendida como mercadoria, produto, bem de consumo e não propriamente como serviço público. Mesmo que seja salvaguardada esta dimensão, o neoliberalismo faz da educação um serviço, cuja eficiência e produtividade de resultados é directamente proporcional à intervenção dos grupos de mercado

  • Concordo com Sacristán (2000: 51) quando refere que nem todos os males sociais, incluindo os do mundo educativo, podem atribui-se à incursão neoliberal, sem que se mencione a crise das ideias progressistas e o triunfo, pelo menos parcial, do pensamento débil.

  • É condenável sob todos os pontos de vista a exploração do homem pelo homem. Será um acto mais pernicioso se ele for desencadeado por um seu par.

  • Reúne um elevado consenso a ideia de que os professores auferem vencimentos pouco compatíveis com a relevância social da sua função. É legítimo que os professores procurem melhores condições materiais.

  • As perversidades e os paradoxos avultarão no sistema educativo enquanto este não se colocar declaradamente, sem preconceitos ideológicos, ao lado dos alunos e das suas necessidades (incluindo a sua preparação para a profissão).

  • Embora a organização da escola padeça dos males que caracterizam todo o sistema educativo, existem escolas que disponibilizam apoios educativos aos alunos dentro e fora do horário de trabalho do professor (alguns destes professores utilizam voluntariamente parte do seu tempo livre para ajudar os alunos). Surpreendentemente, ou talvez não, verificamos que o recurso à escola paralela continua a ser privilegiado.

  • Não é fácil separar o trigo do joio, sobretudo quando temos dificuldade em identificar o trigo.

    publicado por Miguel Pinto às 01:08
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    Quinta-feira, 10 de Junho de 2004

    Dia de Portugal.

    Será um Outro olhar renovado, por Portugal.
    publicado por Miguel Pinto às 22:00
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    As negociatas (II)

    Com o conhecimento do autor, transformo um comentário ao post anterior numa nova entrada.

    Dois comentários provocadores: 1. Quem dá aulas nas salas de estudo? Resposta: na esmagadora maioria dos casos professores como os outros para arredondarem o ordenado no fim do mês. Em alguns casos que conheço estes professores são escandalosamente mal pagos e explorados por outros colegas de profissão. 2. Porquê culpar o estado neoliberal? Resposta: porque é o bode expiatório mais à mão. O que os professores na escola pública devem fazer é proporcionar as condições adequadas para que os estudantes aprendam, nomeadamente através da disponibilização de apoios educativos aos alunos que não podem pagar a ajuda que outros colegas socialmente mais favorecidos recebem (bibliotecas que incentivem a sua utilização, professores que se disponibilizem, dentro do seu horário, para prestar apoio aos alunos, investimento na área de estudo acompanhado, etc., etc).

    É um desafio aos vossos olhares.

    publicado por Miguel Pinto às 09:11
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    Terça-feira, 8 de Junho de 2004

    As negociatas.

    As negociatas em torno das explicações florescem.
    As comunidades educativas assistem passivamente à inversão dos papeis entre a escola certificadora e a escola paralela. Cada vez mais cedo e com maior frequência, as famílias recorrem aos paraprofessores para suprir as carências cognitivas dos seus educandos.
    Os neoliberiais anseiam um Estado cada vez mais regulador. Seria uma perversidade diabólica deixar que o sistema educativo atinja o caos para legitimar esta indispensabilidade reguladora.
    publicado por Miguel Pinto às 20:10
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