Terça-feira, 8 de Junho de 2004

O professor cada vez mais operário.

O que motiva este empreendimento perverso que procura transformar o professor num tenebroso burocrata?
Que bom seria se os conselhos de turma fossem ocupados, inteiramente, com os alunos e as suas necessidades.
publicado por Miguel Pinto às 19:30
link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito
Domingo, 6 de Junho de 2004

Desfibrilhador

É interessante a designação que foi atribuída ao Outro Olhar pelo Fórum Comunitário numa actualização das suas ligações. Seria admirável que este espaço tivesse a capacidade de funcionar como um desfibrilhador histórico. Assistir ao definhamento da escola suscitado pelos ataques sistemáticos do poder político sem nada fazer é um drama para quem vive a escola. A reanimação da escola consubstancia um paradigma que introduz uma mudança global da escola numa lógica mutacional dialéctica ascendente e descendente, centrada no trabalho educativo que se realiza na Escola. O cerne deste processo, que procura devolver a vida à escola, é o acto educativo.
De que é que estamos à espera? Não será este o momento para recorrermos ao suporte básico de vida?
publicado por Miguel Pinto às 12:43
link do post | comentar | ver comentários (5) | favorito
Sábado, 5 de Junho de 2004

O sentido humano.

No final do ano lectivo é tempo de balanço. Sem grandes arranjos linguísticos, há que detectar o que correu bem, mal e o que não correu. A actividade lectiva com os alunos do 12º ano será encerrada dentro de poucos dias, embora os alunos prolonguem a sua permanência na escola devido à realização dos exames nacionais.
Os últimos dias foram marcados por este processo avaliativo. Os alunos expressaram os seus pontos de vista em tudo, ou quase tudo, que tem a ver com a vida escolar. Desde a matéria programática (no 11º e 12º anos são os alunos que seleccionam os conteúdos a abordar ao longo do ano – bem a propósito da entrada anterior onde se tratava a questão da autonomia), às condições de realização das actividades, ao ambiente de trabalho, às questões afectivas, às expectativas frustradas, aos sonhos feitos e desfeitos (alguns deles ainda não deixaram de sonhar), passando pelos conflitos e a sua gestão, etc. Para além da discussão aberta, franca e partilhada por todos, peço um registo escrito que dê conta de algo marcante. Que mereça ser dito, que mereça ser ouvido. Acompanho estes alunos desde o 10º ano, 6 horas por semana, foram 3 anos de trabalho.
O E. é um aluno reservado, é.... transparente. Não encontro outra expressão que traduza o seu olhar. Não é um aluno “brilhante”, mas tem o brilho que falta a muitos desses alunos. Quer concluir o 12º ano e sonha continuar a estudar não obstante a dificuldade que tem em cumprir as exigências de cada área disciplinar. No 10º ano, alguns dos seus professores vaticinavam-lhe um curto futuro escolar. Alguns dirão que o “facilitismo” que graça no sistema educativo permitiu ao E. chegar ao 12º ano. Dizem que se aumentasse a “exigência” ele não passaria do 10º ano, porventura nem teria lá chegado. Mas chegou, chegou ao 10º ano e prepara-se para abandonar a escola, com o 12º ano concluído (como gostaria de ver a cara desses colegas que se atreveram a conjecturar sobre o seu futuro).
E. abeirou-se de mim, como os restantes colegas, entregou a sua reflexão e recebeu um aperto de mão.
aluno E.JPG
É o sentido humano que me encoraja e que me faz gostar do que faço.
publicado por Miguel Pinto às 12:40
link do post | comentar | ver comentários (3) | favorito
Sexta-feira, 4 de Junho de 2004

Autonomia...

Entretido com este olhar sobre o ensino secundário ocorre-me uma questão subsidiária. Inevitavelmente, as minhas incursões pelos dilemas e paradoxos que enfermam o ensino secundário deixam-se ordenar pelo princípio da autonomia profissional e organizacional.
Será que todas as escolas desejam a autonomia relativamente ao centralismo doentio do monstro burocrático? Isto a propósito da diversidade de soluções para ordenar o sistema educativo. O Manuel tem defendido coerentemente esta ideia.
(É este o meu enigma) será que é possível impor (como promete a lei – DL nº 115/A) a autonomia a uma comunidade que não a deseja?
Será que os professores querem assumir a responsabilidade pessoal inerente à maioridade profissional?
publicado por Miguel Pinto às 22:07
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito

A falta das bases.

Numa entrada mais em baixo aflorei um dos dilemas do ensino secundário. Ele é encarado como uma antecâmara do ensino superior e do mercado de trabalho ao mesmo tempo que é organizado assumindo uma natureza terminal.
Será que o ensino secundário pode esquecer o presente em nome de uma causa académica ou profissional incerta?
Será possível discutir e pensar o ensino secundário desligando-o do seu quadro de referência que é o aluno? Não serão as necessidades do aluno e o seu desenvolvimento pessoal que determinam o sentido da Escola? Não consideram essencial que a articulação entre os diversos ciclos seja sequencial e progressiva? Na verdade, o que nos diz a realidade é que a organização de todo o sistema de ensino dá a primazia a uma sequencialidade regressiva. Esta perversão faz com que estejamos preocupados com o aluno virtual, com o aluno tipo, com o aluno médio, e esqueçamos o aluno concreto e situado. O grande problema deste aluno médio é a sua falta das bases (na óptica do professor, claro) e o ónus da culpa é transferido para o nível de ensino anterior.
Não posso deixar de convocar os colegas de todos os níveis de ensino para esta reflexão indeclinável.
publicado por Miguel Pinto às 19:24
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
Quinta-feira, 3 de Junho de 2004

(...)

Hoje o calor aperta e intimida a minha vontade de escrever.
publicado por Miguel Pinto às 22:28
link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito
Quarta-feira, 2 de Junho de 2004

Para onde vai o secundário? (II)

Sinto que abro uma discussão geradora de grande controvérsia.
Se considerarmos o ensino superior como um espaço abastecedor de conhecimentos necessários a uma carreira profissional dizemos que ele não deferirá do percurso vocacional consubstanciado nos cursos tecnológicos do ensino secundário. Neste sentido, o ensino superior será uma preparação para a vida (não gosto da expressão porque a preparação também é vida). Ora, este pressuposto parece refutar o argumento da permeabilidade (sem custos para o aluno) que tem sido adoptado pelo discurso oficial e partilhado pelos sindicatos, e raramente questionado pelos professores.
publicado por Miguel Pinto às 21:21
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
Terça-feira, 1 de Junho de 2004

Para onde vai o secundário?

Uma discussão centrada no ensino secundário poderá aclarar diversos percursos. Destaco apenas dois: o caminho desejado e o caminho oferecido. Ouço todos os dias, deste ou daquele colega, que de nada vale questionar o sistema de ensino reflectindo e projectando o seu futuro. Porque esse advir é delineado em gabinetes surdos e cegos, de nada servirá contestar as soluções, propor alternativas, querer intervir na sua construção. Se a crítica, a participação e a reivindicação não suscitam mudanças no sistema educativo, não será pelo conformismo, apatia, acriticismo e pela revolta silenciada que a escola se transformará. Por outro lado, animemo-nos, dentro desses gabinetes moram inquilinos a prazo, direi com mais rigor, de prazo curto.

É nesta medida que lanço o meu repto. Talvez produza algum eco, da escola ou nas escolas, básicas e não básicas. Retomo uma questão que serviu de guia ao colega José Matias Alves  numa incursão à crise do ensino secundário. Uma crise que deve ser compreendida à luz das mudanças pós-modernas (Hargreaves)que conduziram à perda gradual de sentido e à ruína do actual modelo escolar.

Qual o sentido, finalidades e funções do ensino secundário? Estará condenado a servir de antecâmara do ensino superior? Será este o destino que lhe querem conferir? Não será possível olhar o ensino secundário tendo como quadro de referência as necessidades dos alunos? A partir do momento em que deixarmos de considerar o ensino secundário como um ensino de elites, ele abandonará as suas contradições e superará os seus dilemas: selectividade/democraticidade; obrigatório/facultativo; condição de acesso ao ensino superior/não condição de acesso ao ensino superior; uniformidade/diversidade; etc.

publicado por Miguel Pinto às 22:16
link do post | comentar | ver comentários (9) | favorito

A arder.

A escola situada caminha sobre as brasas. A três meses da reorganização curricular do ensino secundário (que alguns chamam de reforma) sinto no professorado uma grande apreensão gerada pelo aumento da intensificação do seu trabalho, um enorme cepticismo que advém de um desajustamento entre o discurso oficial que promete resultados pelas alterações introduzidas no sistema e a mudança concreta que se gerará, e um desapontamento suscitado pela sistemática desvalorização do seu estatuto.
Querer conotar este olhar de corporativista é um remoque dogmático que carece de actualização.
Como é diferente esta escola vista por dentro.
publicado por Miguel Pinto às 19:59
link do post | comentar | favorito

Espaço intercorporal.

Para que servirá esta exposição à crítica, ao reparo e ao acrescento elevado, ao reles ataque pessoal assumido ou dissimulado?
Dos meus blogues favoritos (são todos os que se encontram à esquerda, uns mais favoritos que outros como é evidente) é raro encontrar um que não tenha olhado para dentro de si, cada um no seu estilo singular, deixando transparecer algum desconforto pela intensidade (ou falta dela) dos outros olhares.
Esta ausência corporal, fundamental nas relações humanas, torna-se paradoxal. É a partir deste corpo vivido (exibido atrás de um qualquer teclado), desta corporeidade enquanto fenómeno-história, que se constrói o sentimento de identidade pessoal. Ora, a partir da privação voluntária da corporeidade castramos a emoção emergindo um dilúvio de equívocos na função comunicacional. Por outro lado, ao diluirmos os estereótipos corporais desejamos uma recompensa que aponta para um tipo de racionalidade amplamente refutada por António Damásio.
Transpondo esta reflexão para a nossa prática, podemos estar descansados que o acto educativo nunca abandonará o espaço intercorporal.
publicado por Miguel Pinto às 08:47
link do post | comentar | favorito

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Julho 2005

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
28
29
30
31

.posts recentes

. Outro Olhar... só no blog...

. Novo lugar.

. Exemplos que (nada) valem...

. (Des)ordem...

. Outros olhares... a mesma...

. E esta?

. O blogspot encalhou.

. Bolonha aqui tão perto.

. Olhar distante.

. Faz de conta.

.arquivos

. Julho 2005

. Setembro 2004

. Agosto 2004

. Julho 2004

. Junho 2004

. Maio 2004

. Abril 2004

. Março 2004

. Fevereiro 2004

. Janeiro 2004

. Dezembro 2003

blogs SAPO

.subscrever feeds