Domingo, 1 de Fevereiro de 2004

Reacções à crítica e à falta dela

É curiosa a forma como reagimos aos ataques à crise da Escola, ao “modus vivendi” instalado e aos efeitos perversos que a praga de acólitos induz no sistema educativo.

Com muita facilidade, encontramos na falta de preparação teórica dos críticos, muitos deles oriundos da comunicação social ou outros que emergem do interior das próprias escolas, um poderoso argumento que é utilizado para desconsiderar a diferença de opinião, reduzindo e circunscrevendo a discussão a um leque reduzido de “iluminados” que, esses sim, por conhecerem os “verdadeiros” problemas da educação estão habilitados a avançar com as soluções milagrosas.

Considero que esta via não transformará as escolas em lugares mais atractivos e gratificantes. Bem pelo contrário, é cada vez mais necessário encorajar os professores e os restantes elementos da comunidade educativa a expressarem os seus pontos de vista, os seus olhares dirigidos para a Escola, e saber interpretar esses sinais. A crítica doentia ou não deve ser entendida como uma oportunidade de abertura para a mudança. Resta-nos saber discernir os motivos que a suscitam e utilizar, se formos capazes, os instrumentos teóricos necessários para esse desiderato.

publicado por Miguel Pinto às 12:28
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De Miguel Pinto a 2 de Fevereiro de 2004 às 09:30
O tempo científico presente é complexo e ambíguo. Vivemos numa fase de transição caracterizada por uma crise da ordem científica hegemónica, que é no entender de Sousa Santos (1987) profunda e irreversível. Emergirá, neste período revolucionário, um novo paradigma que não pode ser apenas científico, mas tem que ser, também, um paradigma social. Não se trata de anunciar a morte da ciência, de a substituir ou mesmo desvalorizar. “Trata-se de acabar com a ideologia de uma racionalidade que impôs a ciência como a única forma de conhecimento válido e que criou um ambiente de hostilização e de desvalorização de outras formas de pensar e conhecer” (Bento et al., 1999: 44) e aceitar que a pluralidade dos mundos e das práticas sociais gera outras tantas formas de conhecimento válidas que se torna necessário aproximá-las.
É este o meu posicionamento.
Os ventos de mudança chegaram ao campo educativo. A racionalidade epistemológica teve implicações negativas no terreno da educação, levando-o à desertificação axiológica. Urge apresentar a educação como um projecto antropológico por natureza e condição, porque, fora deste quadro, não se reconhece qualquer sentido educativo ao ensino e à aprendizagem. É este o sentido de mudança que eu proponho.
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